Presidente da Câmara Municipal da Boa Vista acusa Governo de “bloquear o desenvolvimento” da ilha

O presidente da câmara da Boa Vista acusou hoje o Governo de “estar a bloquear o desenvolvimento da ilha” com “injustiça” em sectores-chave como saúde, infraestrutura, saneamento, educação, formação profissional e roturas de produtos essenciais.

Cláudio Mendonça, que falava à imprensa após ter sido recebido pelo Presidente da República, José Maria Neves, explicou que tais inquietações são notórias no seio da população, tendo, por exemplo, exortado o Governo central no sentido de proceder a “uma projecção clara” relativamente à rede de esgoto da ilha, que tem um lençol freático “bastante alto”, e que ainda regista vazamento de esgoto a céu aberto.

O investimento necessário para a área de saneamento é “bastante avultado”, elucidou, adiantando que o município “não tem condições de interferir” e que resta ao engajamento do Governo, em vez do bloqueio que disse ter constatado desde o início do seu mandato, agravado pela “falta da transferência de fundos [ambiente e turismo] para o município”.

 “O nível da cobertura da rede de esgoto é menos que 2 ou 3 por cento (%). Não temos absolutamente nada. Com o Governo temos tido uma relação muito próxima, no sentido de viabilizar investimentos na ilha, mas na verdade na prática nunca acontece. Queremos mais pragmatismo”, relatou.

Considerando que a ilha se sente injustiçada pelo executivo, o autarca referiu que Boa Vista é um município com pouca população, mas de dimensão territorial “bastante grande”, daí a necessidade de uma “política clara”, alegando que as alterações climáticas podem, inclusive, impactar-se no sector do turismo.

“Metade da cidade de Sal-Rei praticamente não é requalificada (…) sem calcetamento, o arruamento ainda é deficitário. Não temos instalações de rede de condutas de águas na cidade e cerca de 30 % da população da Boa Vista não tem acesso à rede de água ao domicilio”, reclamou.

A ilha, afiançou, sequer tem um cais de pesca e um tratamento adequado do pescado, frisando que isto se enquadra num rol de preocupações que impactam no desenvolvimento da ilha, marcada por uma “crítica problemática ambiental” que, a seu ver “carece de investimentos grandes” do Governo e de todos os parceiros para “alavancar a ilha”.

“Efectivamente, Boa Vista está encalhada. A sensação é que estão suspensos alguns investimentos na ilha. Actualmente, a única obra grande do Governo na ilha é a construção do Bloco Operatório, cuja obra foi iniciada em 2019, mas que ainda continua por concluir. Nós também somos parte deste país e reclamamos um melhor tratamento”, argumentou.

Nesta linha, afirmou que conta receber o Presidente da República na ilha ainda no corrente trimestre, para um contacto “in loco” com estas preocupações, de modo a exercer a sua magistratura de influência junto do Governo, lamentando que Boa Vista, enquanto ilha turística, continue a produzir riqueza, “mas para serem investidas em outras ilhas”.

“O povo da Boa Vista reclama por uma orla marítima à semelhança do que tem vindo a ser feito” em outras paragens. A ilha também tem vales, ribeiras e cutelos, contudo só vê investimentos em outros municípios”, observou.

Inforpress

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