Presidente da Costa do Marfim perdoa antecessor, Gbagbo, para impulsionar “coesão social”

O Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, disse no sábado, 6 de Agosto, que tinha oferecido um perdão presidencial ao rival de longa data Laurent Gbagbo, como parte de uma campanha de reconciliação com os seus antecessores, antes das eleições de 2025.

Gbagbo, Presidente de 2000-2011, regressou à Costa do Marfim no ano passado, após ter sido absolvido em 2019 pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, acusado de crimes de guerra, pelo seu papel numa guerra civil desencadeada pela sua recusa em conceder a derrota após as eleições de 2010.

De regresso a casa, enfrentou ainda uma pena de prisão de 20 anos por uma condenação de 2019 ligada ao roubo de fundos do banco central de Abidjan durante o período pós-eleitoral. Ele sempre negou as acusações.

“A fim de reforçar ainda mais a coesão social, assinei um decreto concedendo um perdão presidencial a Laurent Gbagbo”, disse Ouattara num discurso televisivo à nação, antes do dia da sua independência, no domingo, 7 de Agosto.

Ele disse que também tinha pedido que as contas de Gbagbo fossem descongeladas e o pagamento em atraso da sua anuidade presidencial vitalícia.

A decisão segue-se a uma rara reunião em Julho entre Ouattara, Gbagbo, e o ex-presidente Henri Konan Bedie.

O trio tem dominado a cena política fracturante da Costa do Marfim desde os anos 90. Bedie foi Presidente desde 1993 até à sua expulsão, num golpe de Estado de 1999. Gbagbo governou desde 2000 até à sua derrota eleitoral para Ouattara em 2010.

As tensões aumentaram de forma mais dramática após as eleições de 2010. Gbagbo recusou-se a conceder a derrota, levando a uma breve guerra civil que matou cerca de 3.000 pessoas antes de as forças rebeldes alinhadas com Ouattara terem varrido a principal cidade de Abidjan.

Ouattara presidiu à relativa estabilidade durante a sua década no poder. Mas dezenas de pessoas foram mortas em confrontos que eclodiram por volta das eleições de 2020, quando ele se apresentou para um terceiro mandato que Gbagbo e Bedie disseram ser inconstitucional.

O Presidente ainda não disse se planeia candidatar-se a um quarto mandato em 2025. Disse que gostaria de renunciar, mas também sugeriu que precisaria que Gbagbo e Bedie se comprometessem a retirar-se da política para o fazer.

Até à data, ainda não indicaram quais são os seus planos.

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