Presidente do INE defende formalização do sector agrícola em África para produção de melhores estatísticas

O presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), João de Pina Cardoso, defendeu hoje a necessidade da formalização e organização do sector agrícola em África para produção de melhores estatísticas agrícolas.

João Cardoso falava na abertura da jornada sob o lema «Reforçar o ecossistema de dados, modernizando a produção e a utilização das estatísticas agrícolas: informando políticas com vista a melhorar a resiliência da agricultura, da nutrição e da segurança alimentar em África», promovido pelo Instituto Nacional de estatística (INE) para comemorar o Dia Africano de Estatística que hoje se assinala.

“É preciso medir sim a agricultura em África, mas esta medição se tornaria mais fácil se o sector estivesse organizado. Pois, ter dados em meio ao caos de nada servirá. A formalização do sector ajudaria bastante nesse processo de medição, facilitaria, e de que maneira, o processo de implementação de políticas dentro do próprio sector”, sustentou.

O responsável do INE de Cabo Verde sublinhou que este é o primeiro passo que, além de facilitar o processo de recolha de informação, daria aos agricultores africanos uma melhor capacidade produtiva e previsibilidade de receitas, garantindo desta forma a sua própria resiliência.

“Portanto, tão importante como ter dados é perceber a importância de se estar organizado para poder conhecer quem e quantos são, o quê e quanto produzem para que possam ser tomadas medidas de políticas assertivas que garantam a resiliência do sector em África”, acrescentou.

Na perspetiva de João Cardoso, só após esse processo de formalização, os sistemas estatísticos nacionais africanos desempenhariam um papel central na modernização da cadeia de valor dos dados, incluindo a geração, a disseminação e administração de dados com o objetivo de atingir a produção oportuna.

Acrescentou ainda que o uso de estatísticas focais confiáveis é essencialmente para a política baseada em evidência, pelo que sugere que a sociedade civil, a academia e o sector privado têm papéis complementares e suplementares a desempenhar como produtores de dados alternativos significativos.

O presidente do INE disse ainda esperar que a implementação do roteiro para transformação e modernização das estatísticas oficiais em África 2023-2030 traga melhorias significativas na eficiência de todos os processos de recolha de dados para modernização e elaboração de relatórios sobre cumprimento da agenda 2030 e 2063.

O lema deste ano para assinar o Dia Africano de Estatística «Reforçar o ecossistema de dados, modernizando a produção e a utilização das estatísticas agrícolas: informando políticas com vista a melhorar a resiliência da agricultura, da nutrição e da segurança alimentar em África” foi escolhido pela Comissão Económica das Nações Unidas e foi consensualizado devido ao contexto em que o mundo e, particularmente, a África vive, impactado pelas crises e na eminência do seu  agravamento devido às incertezas provocadas pelas guerras.

Um problema estrutural para a África com forte impacto na fome, na paz e no bem-estar social, e por isso, se centralizou na modernização da produção de estatísticas agrícolas e na sua utilização, estatísticas essas necessárias para a implementação de políticas que possam minimizar os efeitos dessa crise.

O encontro, promovido pelo INE em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), contou com a presença do director do Departamento de Estatística da OIT, Rafael Diez de Medina, e a abertura foi presidida pelo secretário de Estado das Finanças, Alcindo Mota.

Inforpress

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