Professor António Rebelo e Sousa alerta que aumento dos juros podem ter efeito recessivo

O professor António Rebelo e Sousa alertou ontem, dia 10, na Praia, que os aumentos dos juros podem ter efeito recessivo e indicou que o aumento dos rendimentos dos agregados familiares, em momento de crise, pode não ter o efeito desejado.

O economia e professor português, que se assume como neokeynesiano, e falava, enquanto orador, na conferência internacional “Dos cenários alternativos da economia mundial ao futuro de Cabo Verde no contexto internacional”, salientou que é preciso ter muito cuidado com a fórmula habitual que comporta alguns problemas hoje em dia.

“Se houver realmente uma situação de recessão, fruto das circunstâncias que têm que ver com conflitos militares existentes, com a crise de abastecimento muito mais eu deveria ser a favor do aumento dos rendimentos dos agregados familiares, porque isso induzia um aumento da procura e incentiva as empresas a investir mais e haveria um aumento do crescimento económico”, disse.

Entretanto, alertou que essa situação só funciona quando há elasticidade do lado da oferta.
E tendo em conta que, neste momento, há uma certa rigidez do lado da oferta a nível das matérias-primas, a nível de abastecimento, considera que o aumento dos rendimentos aumentaria a procura, sendo que não é líquido que haja aumento da oferta.

“E haverá uma espiral inflacionária. Por isso mesmo é preciso pensar um bocado fora de caixa. Não pode haver os acréscimos salariais porque compensam totalmente o acréscimo do preço”, disse.
Igualmente disse que será difícil evitar aumentos dos juros, alertando ao mesmo tempo que o aumento substancial das taxas de juros pode ter um efeito recessivo.

Por isso mesmo defende que é necessário a continuação de estímulos monetários com promoção da expansão moderada de crédito à economia.

O professor doutor reconhece as dificuldades das pequenas e médias empresas no acesso ao crédito, isto devido às imparidades e riscos de crédito, já que muitas vezes essas pequenas e médias empresas não conseguem garantias aos bancos.

“Portanto a nível das pequenas e médias empresas há um problema que tem de ser pensado”, disse, frisando que neste particular as empresas de capital público têm um papel importante desempenhar.
António Rebelo e Sousa considera que as projeções para Cabo Verde para o ano de 2022 são boas para um cenário mais otimista.

Contudo, adiantou que a instabilidade existente da situação geopolítica e um cenário mais crítico, com intensificação do conflito militar na Europa, intensificação de perturbações do lado da oferta, e aumento significativo da taxa de inflação a médio prazo e o ressurgimento da pandemia, vai ser necessário tomar algumas medidas mais urgentes.

Por isso sugere à Cabo Verde a criação de uma Direção Central de Planeamento que elabore os planos de desenvolvimento plurianuais, em sintonia com um Instituto Tecnológico de Inovação e Desenvolvimento, que articula a sintonização dos sectores estratégicos com os apoios financeiros que essas empresas precisam.

“Teria que haver um banco de fomento, uma estrutura financeira que federasse, que sindicalizasse os apoios financeiros com a banca comercial e a banca de investimento”, explicou.

Inforpress

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