Projecto de dessalinização da água do mar é a melhor solução para viabilizar a agricultura em Cabo Verde –primeiro-ministro

O primeiro-ministro reiterou ontem, dia 22, que o Programa de Mobilização de Água para a Agricultura (PMAA), que produzirá água dessalinizada para fins agrícolas, é a melhor solução para viabilizar a agricultura num país como Cabo Verde, exposto a secas severas.

Ulisses Correia e Silva falava à imprensa, após visitar as obras do PMAA nos municípios de São Domingos e Santa Cruz, orçadas em 35 milhões de euros (3,8 milhões de contos), financiadas pelo Governo da Hungria, que contemplam ainda, as ilhas do Maio, Santo Antão, Boa Vista e São Vicente, numa primeira fase.

Pretende-se com este projecto fazer o tratamento da água do mar para uso na agricultura, recorrendo ao processo de osmose inversa e ao tratamento de águas residuais para rega.

Projectado para mitigar a escassez de água que vem afetando severamente o desenvolvimento do sector agrário em Cabo Verde, o programa permite a instalação de sistemas de dessalinização constituído por dessalinizadoras, plantas fotovoltaicas para fornecimento de energia, realização de perfurações para captação da água do mar nas orlas costeiras, rede de adução e distribuição e reservatórios.

“Estamos perante aquilo que é a melhor solução para viabilizar agricultura num país como Cabo Verde, que como sabemos é exposto a secas severas e com muita irregularidade de chuvas”, defendeu o chefe do Governo, referindo-se ao PMAA.

“Então, soluções tecnológicas que nos permitem fazer dessalinização de água associada às energias renováveis, com sistemas de controlo de irrigação automático que permite que se tenha melhor autonomia de gestão de água e massificação de rega gota-a-gota (…) vão fazer com que venhamos a ter uma agricultura menos dependente de chuvas, sustentável e com utilização de energias renováveis vamos também baixar custo de produção de água”, reforçou.

“Estamos a casar três coisas importantes hoje na acção climática, que é água, energia e digital”, lembrou, insistindo que o referido programa vai fazer “muita diferença” para a agricultura, independentemente se chover ou não.

Relativamente às obras do referido programa em Achada Baleia, São Domingos, e em Achada Ponta, Santa Cruz, que beneficia ainda São Lourenço dos Órgãos, informou que a empreitada em São Domingos está na fase “mais avançada” e vai estar concluída em Julho próximo.

Em relação à dessalinizadora instalada em Achada Ponta, que produzirá água dessalinizada para fins agrícolas, e que beneficiará a bacia hidrográfica da Ribeira Seca, abrangendo as áreas agrícolas irrigadas e as potencialidades irrigáveis, nos municípios de São Lourenço dos Órgãos e Santa Cruz, o chefe do Governo disse acreditar que vai estar concluída em Setembro ou Outubro.

Na ocasião, avançou que assim como em São Domingos e Santa Cruz, ambos na ilha de Santiago, que “brevemente” as obras no âmbito do mesmo programa vão arrancar na ilha do Maio, seguindo depois para Boa Vista, Porto Novo (Santo Antão), e São Vicente.

“Entre soluções de se continuar a investir, por exemplo, na acumulação de água muito depende de chuva, e solução de encontrar aquilo que mais temos em Cabo Verde, que é o mar e transformá-lo em água para agricultura e com sustentabilidade, é claro que a segunda opção é a melhor escolha”, defendeu Correia e Silva.

E tendo em conta que, segundo ele, o PMAA é exemplo de “bons investimentos”, o chefe do Executivo anunciou que após a conclusão da primeira fase, vão alargá-lo às outras ilhas do país.

Inforpress

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