Quase 2.000 empresas cabo-verdianas com créditos garantidos pela Pró Garante

Quase 2.000 empresas cabo-verdianas tinham beneficiado até novembro de créditos garantidos pela sociedade estatal Pró Garante de perto de mais de 7,2 mil milhões de escudos (65,8 milhões de euros), segundo dados do Governo.

Em causa estão garantias concedidas a pequenas, micro, médias e grandes empresas ao abrigo das linhas de crédito com garantia estatal criadas para apoiar a recuperação económica no período pós-pandemia de covid-19 e que cobrem de 50 a 100% do total de financiamento bancário.

A Pró Garante é uma sociedade pública que presta garantias para a obtenção de crédito a preço e prazo mais favoráveis para as empresas cabo-verdianas tidas como viáveis. Na lista divulgada hoje pelo Governo contava com 1.939 empresas com 7.265 milhões de escudos (65,8 milhões de euros) de empréstimos obtidos, dos quais 4.487 milhões de escudos (40,6 milhões de euros) com garantia daquela sociedade estatal.

Escolas de dança, lanchonetes, empresas têxteis, de construção civil ou de eventos, passando por transportadoras, oficinas, pensões, restaurantes, boutiques, frutarias, peixarias, farmácias e óticas, a lista das beneficiadas com estas garantias, consultada pela Lusa, abrange todo o tipo de setores de atividade.

Além destes apoios, concedidos no âmbito do Protocolo do Ecossistema de Financiamento à Economia, emitidos pela Pró Garante, destinadas a mitigar os riscos dos créditos concedidos às empresas privadas, Cabo Verde tem emitido avales e garantias pelo Estado, que totalizam, no mês de novembro, mais de 660 milhões de escudos (seis milhões de euros).

Globalmente, o Governo cabo-verdiano explica que entre empresas beneficiadas com assistência técnica da também estatal Pró Empresa e garantias da Pró Garante, o montante de investimentos ascende a 13 mil milhões de escudos (117,8 milhões de euros), por 4.924 empresas e promotores, que criaram ou salvaguardaram 24.000 postos de trabalho.

“As empresas podem continuar a contar com o Governo. Juntos passamos por momentos difíceis. Apoios à recuperação de empresas, estímulos e incentivos fiscais e financeiros ao investimento, ecossistema de financiamento mais robusto e melhoria do ambiente de negócios continuam e serão reforçados em 2023”, afirmou na segunda-feira o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, numa mensagem ao país sobre a aprovação, na madrugada de sábado no parlamento, da proposta de lei do Orçamento do Estado para o próximo ano.

“Um novo Acordo Estratégico de Médio Prazo com os parceiros sociais – entidades patronais e sindicatos – será celebrado em sede do Conselho de Concertação Social. Precisamos de um tecido empresarial mais dinâmico, com atitude empreendedora, qualidade de gestão e capacidade de inovação. Do lado do Governo, todos os ministérios vão orientar-se para os objetivos da melhoria do ambiente de negócios e de condições para o fomento do investimento privado, com uma atitude mais proativa, mais eficiência e maior efetividade”, acrescentou.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística – setor que garante 25% do PIB do arquipélago – desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou em junho a previsão de crescimento de 6% para 4%, que, entretanto, voltou a rever, agora para mais de 8%.

 

Lusa

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