Quatro investigadoras cabo-verdianas contempladas com bolsas no programa ENVOLVE Ciência PALOP

Esta é a 2.ª Edição do programa que oferece bolsas de pós-doutoramento em Portugal financiadas pela Fundação Calouste Gulbenkian e que anualmente abrange cerca de uma dezena de jovens africanos lusófonos.
Ariana Freire, Neidy Rodrigues, Gisseila Garcia e Mara Fernandes

Quatro cabo-verdianas foram contempladas com bolsas de estudo no âmbito da primeira fase do programa Envolve Ciência PALOP. As investigadoras Gisseila Garcia, Neidy Varela Rodrigues, Ariana Filomena Freire e Mara Yone Fernandes foram abrangidas nesta primeira fase do programa. As especialistas vão estar em estágio de pós-doutoramento a partir deste mês junho entre as cidades de Lisboa, Porto e Braga.

Com uma formação de base clínica, na área de obstetrícia, a docente e investigadora Gisseila Garcia, de 33 anos, explica em conversa com o Balai que sempre quis seguir a carreira académica e ser cientista para poder conciliar as duas áreas.

Depois de terminar o doutoramento em Saúde Pública, na área de pesquisa epidemiológica de doenças crónicas não transmissíveis, em 2023, começou a ver novas saídas, até porque, salienta, em Cabo Verde há “o desafio de ser cientista devido à falta de financiamento, e apresentar um projeto científico exige recursos”. Foi com esta ideia em mente que se candidatou ao edital da segunda edição do programa Envolve Ciência PALOP.

A primeira fase do programa consiste num estágio de pós-doutoramento de 6 meses, numa instituição de referência na área científica em Portugal, e Gisseila Garcia vai estar no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa, onde vai estudar “Doenças febris agudas na África Subsaariana: causas mais comuns, estratégias de diagnóstico e protocolos de atendimento”.

Nesta etapa, é feito esmiuçamento do projeto e depois, numa segunda fase, acontece a candidatura para um financiamento de até três anos e de até 165 mil euros, sendo que o projeto deve ser depois implementado no país de origem do investigador.

Quanto às expectativas, Gisseila Garcia que atua também como consultora especialista em estudos de género, raça e interseccionalidade, diz que é uma grande honra enquanto cabo-verdiana fazer um estágio numa universidade tão prestigiada como a Nova e no Instituto de Medicina Tropical. “Vou apostar no meu projeto e quero ser uma das vencedoras da segunda fase do concurso para implementar o meu estudo em Cabo Verde e para continuar a seguir a carreira científica”.

A docente e investigadora da Universidade de Cabo Verde, Uni-CV, Neidy Rodrigues que é doutora em Ciências Biomédicas e a principal investigadora do projeto de Investigação Biomédica INCUBATOR, focado no Cancro da Próstata e financiado pela fundação Calouste Gulbenkian e a fundação La Caixa em Janeiro 2022, é mais uma das cabo-verdianas selecionadas no programa e vai estar no CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde é uma grande Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) da Universidade do Porto.

Segundo explica a docente, no âmbito do projeto INCUBATOR foi instalado em 2023 o primeiro laboratório de histopatologia em Cabo Verde, com sede na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), e tem como foco o diagnóstico investigativo do cancro da próstata, “a primeira causa de morte por cancro nos homens em Cabo Verde”.

O projeto mencionado conta com a parceria da Faculdade de Medicina de Moçambique, Hospital Agostinho Neto de Cabo Verde e o Hospital Central de Maputo e tem como objetivo “criar uma base de dados relacionados à investigação biomédica para alcançar objetivos funcionais na seleção terapêutica das neoplasias dos doentes, identificação de polimorfismos genéticos e comparação com outros bancos de dados de tumores”.

Neidy Rodrigues adianta que o projeto desta fase inicial será submetido à 2.ª fase e “tem como objetivo a (re)utilização de dados secundários para impulsionar a investigação clínica e melhorar serviços de saúde, neste caso com ênfase na prevenção e diagnóstico do cancro da próstata”.

Quanto às outras duas cabo-verdianas, a docente da Uni-CV e investigadora Ariana Filomena Freire vai estar durante a primeira fase na Fundação GIMM – Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (Instituto de Medicina Molecular) e a também investigadora Mara Yone Fernandes vai estar no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) que é uma Unidade de I & D incorporada na Escola de Medicina (EM) – Universidade do Minho, em Braga.

Segundo informação da Uni-CV, a doutora em Farmacologia Mara Yone Fernandes está focada nas áreas de neuropsiquiatria e neurociências e vai dedicar-se ao polimorfismo genético e às complicações neuropsiquiátricas associadas ao uso abusivo de álcool em Cabo Verde. O projeto da cabo-verdiana “pretende estabelecer o primeiro laboratório de neurociências no país”.

Desenvolvido pela Fundação Calouste Gulbenkian, o programa ENVOLVE Ciência PALOP beneficia jovens investigadores da área das ciências da saúde e tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de carreiras científicas nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – especialmente para jovens pesquisadores com menos de 40 anos, que tenham concluído o doutoramento na área das Ciências da Saúde há menos de cinco anos.

Balai Notícias

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