Ramaphosa exorta nações ricas a pagar crise climática

De visita ao Reino Unido, PR sul-africano fez pressão para que os países desenvolvidos apoiem os mais pobres no combate aos efeitos das alterações climáticas. Não é “caridade”, mas sim “compensação”, diz Cyril Ramaphosa.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, iniciou esta terça-feira (22.11) uma visita oficial de dois dias ao Reino Unido. Durante um discurso no Parlamento britânico, uma honra que não é concedida a todos os chefes de Estado, o líder sul-africano defendeu que os países mais ricos devem avançar com um financiamento às nações em desenvolvimento, com o objetivo de as ajudar no combate aos efeitos das alterações climáticas.

“E isto não deve ser visto como caridade”, frisou. “É uma compensação pelos danos causados e pelos danos ainda por vir nas economias em desenvolvimento como consequência da industrialização dos países ricos ao longo de muitos anos”.

Na sequência da Conferência do Clima da ONU, COP27, no Egito, que terminou no último domingo com a aprovação de um fundo para financiar o combate aos danos climáticos nos países mais “vulneráveis”, Ramaphosa disse que o financiamento precisa de ser uma realidade o mais breve possível.

“Esperamos que o Reino Unido levante a sua voz a favor de organismos internacionais mais representativos e mais inclusivos, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e instituições financeiras mundiais. Estes organismos precisam de estar mais bem equipados para responder às necessidades dos países com economias em desenvolvimento”, afirmou.

O primeiro PR convidado pelo rei

Antes de se dirigir aos parlamentares britânicos, Ramaphosa foi recebido com honras de Estado pelo rei Carlos III, a rainha consorte Camila e outros membros da família real. O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, também participou na cerimónia.

À noite, num banquete em homenagem ao Presidente sul-africano no Palácio de Buckingham, o rei Carlos III defendeu o reforço dos laços de cooperação e investimento entre o Reino Unido e a África do Sul.

“Só trabalhando juntos conseguiremos enfrentar alguns dos maiores desafios do nosso tempo”, disse, exemplificando: “A nossa colaboração na ciência e inovação é literalmente vital para proteger a saúde do nosso povo, preparando-nos para futuras pandemias. Talvez tenhamos de encontrar e implementar soluções práticas para as ameaças das alterações climáticas e da perda de biodiversidade”.

Esta é a primeira visita de um chefe de Estado a Londres no reinado de Carlos III. O secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, James Clervely, garantiu que isto não é por acaso.

“É um reforço da forte relação bilateral que temos com a África do Sul, uma oportunidade real de desenvolver essa estreita relação de trabalho e discutir algumas das questões que nos afetam a todos – alterações climáticas, segurança alimentar, segurança energética, e a parceria de trabalho que já estabelecemos e que podemos desenvolver para ajudar as economias tanto aqui como na África do Sul”, explicou.

Reino Unido procura oportunidades económicas

Esta quarta-feira, o Presidente Cyril Ramaphosa continua a sua visita a Londres e vai reunir-se com o primeiro-ministro Rishi Sunak em Downing Street.

O Governo britânico avançou que será formalizada a próxima fase da Parceria Reino Unido-África do Sul em áreas como a economia, ambiente, ciência e educação.

Londres espera abrir o acesso ao mercado sul-africano a empresas britânicas em projetos de energia e infraestruturas nos próximos três anos que mobilizarão investimentos de até seis mil milhões de euros.

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