“Reconhecemos ganhos em matéria de fortificação alimentar, mas há que reforçar parcerias”, diz diretora nacional de Saúde

A diretora nacional da Saúde destacou hoje os ganhos que Cabo Verde tem registado em matéria de fortificação alimentar, mas reconheceu a necessidade de se reforçar as alianças e os sistemas para a maximização de “políticas assertivas”.

Ângela Gomes fez estas afirmações à imprensa, à margem da cerimónia de abertura do ateliê de partilha e diálogo com as partes interessadas na fortificação dos alimentos em Cabo Verde, salientando que, na África Ocidental, uma em cada duas mulheres em idade fértil é anémica, com “elevados níveis de carência” de micronutrientes essenciais (ferro, vitamina A, zinco, folato e iodo).

Os dados indicam que a África Ocidental registou progressos na fortificação dos alimentos, obrigando à adição de ferro e folato à farinha de trigo, vitamina A ao óleo vegetal e iodo ao sal, referindo que Cabo Verde não foge a regra, e que para combater essas carências nutricionais no país tem sido implementadas algumas estratégias, com destaque para a fortificação alimentar

“Nós já fizemos um caminho muito importante neste sentido, até porque nós já reduzimos a prevalência da anemia e de outras hipovitaminoses, nomeadamente a hipovitaminose A e também a carência do iodo, que já não é um problema de saúde pública em Cabo Verde, mas ainda é um longo percurso que nós temos que fazer e é necessário reforçar os nossos sistemas”, reconheceu.

No seu entender, o reforço dos sistemas alimentares, através de alianças que mostram a multissetorialidade para que as medidas que estão a ser implementadas no sector da saúde sejam maximizadas, através de outros sectores importantes, como o comércio e a agricultura.

Questionada sobre os dados existentes no que se refere a redução da prevalência anémica no país, Ângela Gomes informou que os dados ainda não foram atualizados e que os números de 2018, referentes a prevalência de iodo e o estudo de 2021 concernente a anemia, indicam que a prevalência é de 43 %.

“Isso quer dizer que ainda temos um trabalho árduo para se fazer e passa muito com a educação alimentar e as estratégias que os governos têm tomado é a fortificação em massa, em larga escala, dos alimentos”, assegurou a mesma fonte, o que Cabo Verde tem praticado, continuou, e a pretensão é “reforçar as alianças” de todos os intervenientes para se criar medidas de política “mais assertivas”.

Defendeu ainda a necessidade de se reforçar a regulamentação e criação de uma estratégia de comunicação, seguimento e avaliação de todas as medidas a serem implementadas para o cumprimento dos objetivos, informando, por outro lado, que o referido ateliê conta com a participação de várias instituições públicas do país.

Por seu turno, o representante do Conselho Técnico Regional para a Saúde e a Nutrição do Escritório Regional de Serviços de Relâmpago Católico da África do Oeste, Mawoli Sabla, salientou que essa é a primeira missão do referido conselho a Cabo Verde, nessa estratégia.

“A Catholic Relief Services vai continuar a colocar o desenvolvimento de capital humano no centro da nossa estratégia é continuar a apoiar o Cape Verde tecnicamente em relação à nutrição e à saúde”, afiançou, indicando que quase 24 % das mulheres de idade fértil são anémicas em Cabo Verde e que em alguns países há mais de 80 % das mulheres em idade fértil que estão anémicas devido a falta de micronutrientes ricos em ferro.

Apontou a falta de controlo e avaliação sobre a presença dos micronutrientes nos alimentos de grande consumo e a fiscalização eficaz dos produtos que são importados, como um dos principais problemas.

“Para isso, é necessária uma coordenação de todos os parceiros e essa é a razão da nossa missão, e dos planos feitos aqui hoje onde colocamos todos os parceiros, todas as estruturas públicas, privadas e também a sociedade civil, juntos, para fazer a reflexão sobre as soluções concreta”, realçou, indicando que esta iniciativa está a ser implementada em 15 países da África Ocidental.

Inforpress

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