Relatório destaca tráfico humano como forma de crime organizado mais presente em África

O tráfico humano é a forma de crime organizado mais presente em África, de acordo com o Índice Global de Crime Organizado, da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional, hoje divulgado.


Segundo o relatório hoje publicado, com dados referentes a 2020, o tráfico humano apresenta uma média de 5,93 pontos no continente africano – numa escala entre um e dez -, tornando-o assim a forma de crime organizado mais presente no território.

Em segundo lugar, surge o tráfico de armas (5,56), seguindo-se os crimes contra recursos não renováveis – como a extração ilícita ou tráfico de minerais –, com 5,44.

Acima dos cinco pontos ficaram também os crimes contra a fauna (5,39), como a caça furtiva, o comércio ilegal e o tráfico de espécies protegidas pela CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção.

No sentido oposto, o tráfico de heroína obteve a média mais baixa do índice de criminalidade, com 3,81 pontos, seguindo-se o tráfico de cocaína (4,10), o tráfico de drogas sintéticas (4,34) e crimes contra a flora (4,73).

Estas formas são as selecionadas para a construção do Índice Global de Crime Organizado, que além das formas de criminalidade, classifica os países africanos com base noutro indicador, a resiliência à criminalidade organizada.

Este indicador é calculado com base em fatores como a liderança política e governação, a transparência governamental e responsabilização, a cooperação internacional, políticas e leis nacionais, sistema judicial e detenção, execução da lei, integridade territorial, sistemas anti lavagem de dinheiro, ambiente de regulação económica, apoio a vítimas e testemunhas, prevenção e agentes não-estatais.

O continente africano apresenta uma média de 5,17 pontos na criminalidade e 3,8 pontos na resiliência.

O topo do índice criminal em África é ocupado pela República Democrática do Congo (RDCongo), com uma pontuação de 7,75 pontos, seguindo-se a Nigéria, com 7,15 pontos e a República Centro-Africana (RCA), com 7,04 pontos.

Estes valores são obtidos através do cálculo da média entre as formas de criminalidade e os agentes criminais – como grupos que atuam como máfia, redes criminais, agentes ligados ao Estado ou agentes criminais estrangeiros.

Outros nove países totalizaram mais de seis pontos no índice de criminalidade organizada, sendo estes Quénia (6,95), África do Sul (6,63), Moçambique (6,53), Sudão (6,46), Sudão do Sul (6,34), Camarões (6,31), Uganda (6,14), Gana e Níger (ambos com 6,01).

Por outro lado, São Tomé e Príncipe (1,78), Essuatíni (3,63), Ruanda e Seicheles (ambos com 3,68) ocupam o fundo da tabela da criminalidade organizada em África.

O indicador da resiliência, que calcula o nível de preparação de um país para lidar com a criminalidade organizada, é liderado em África por Cabo Verde, que alcança uma pontuação de 6,33 pontos, com África do Sul (5,79) e Ilhas Maurícias (5,67) a completarem o pódio.

No sentido oposto, o relatório refere que Líbia (1,54), Somália (1,67), Sudão do Sul (1,83) e RCA (1,92) são os países africanos menos preparados para combater a criminalidade organizada, ocupando quatro dos últimos seis lugares entre os 193 países classificados.

 

Lusa

 

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