Representantes dos estudantes universitários em Cabo Verde defendem uma maior vertente prática nos cursos ministrados

Com o aproximar do novo ano letivo, o Balai Cabo Verde conversou com vários representantes das associações dos estudantes universitários no país que elencaram algumas das dificuldades enfrentadas pelos alunos. A maioria defende a necessidade de uma maior vertente prática nos cursos.

Alector Timas, presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Cabo Verde (ACAD Uni-CV), afirma que um dos grandes problemas da Universidade continua a ser a questão do alojamento e do transporte e que é necessário apostar principalmente nesta questão, por que há um défice neste setor.

Natural do Fogo, Alector Timas de 25 anos é atualmente estudante de Psicologia das Organizações, Social e do Trabalho explica que entre as dificuldades que os estudantes têm tido durante o percurso académico está a falta de prática nos cursos lecionados e que o ideal seria que ao longo da licenciatura os alunos tivessem estágios curriculares ou outras experiências práticas.

Acredita que os jovens estudantes que saem para estudar fora, fazem-no à procura de melhor qualidade de ensino e também de maior empregabilidade. Mas que, na opinião de Alector, alguns dos estudantes que saíram para o exterior acabam por regressar e não encontrar emprego.

Aconselha os estudantes a optar por fazer ensino superior no país e a participar no programa de mobilidade que a Universidade dispõe para os estudantes. O presidente da ACAD revela que uma das suas maiores experiências foi a participação no programa de mobilidade na Uni-CV, que aconteceu em Espanha, no qual teve a oportunidade de conhecer uma nova cultura, interagir e trocar experiências.

Para o universitário, os jovens cabo-verdianos necessitam de apoio por parte das instituições, para investir no seu próprio país já que, no seu entender, há pessoas do exterior que vêm para Cabo Verde para investir, enquanto que os jovens residentes não conseguem aproveitar estas oportunidades.

Alector apela aos estudantes que ingressam pela primeira vez no ensino superior a aproveitarem ao máximo as oportunidades oferecidas, desde o primeiro dia, sentindo a essência do que é ser estudante universitário e a aproveitar os desafios. “Entender que nem tudo é fácil, ter uma responsabilidade acrescida, persistir e estar determinado”.

O presidente da associação de estudantes da Universidade do Mindelo, Maruilson Lima, também partilha da opinião que a questão da falta de prática ou experiência nas áreas de formação é algo em que as universidades devem apostar. Acredita ser necessário aplicar a parte teórica ensinada, dando oportunidade de estágio durante a formação académica para o exercício da prática.

Natural de Santo Antão, este estudante de criminologia revela ao Balai que a Uni-Mindelo é uma instituição que conta com cerca de 700 estudantes e que a associação de estudantes da Universidade do Mindelo aposta no desporto, realiza galas e outras atividades, para que os alunos possam ter momentos de lazer.

Segundo o presidente da associação estudantil, a universidade também possui um programa de mobilidade, mas que este é voltado para a direção.
Já no que se refere à saída dos estudantes para o exterior, Maruilson acredita que os estudantes vão à procura de algo mais prático e menos teórico e depois procuram obter a nacionalidade e também conseguir um emprego.

Aconselha os caloiros a estarem motivados e com pensamento positivo para poder ultrapassar e superar as dificuldades que vão encontrar no caminho.

Por outro lado, para o presidente da Associação dos estudantes da Universidade de Santiago, Donaldo Rocha, um dos grandes desafios que os estudantes da instituição enfrentaram foi a pandemia da Covid-19, bem como os maus anos agrícolas, que afetaram diretamente as famílias que tinham os filhos a estudar na universidade.

Natural da Ilha Brava e formado em Direito, Donaldo iniciou como presidente da mesa da Assembleia geral académica, trilhando os caminhos que o levaram a presidente da Associação dos estudantes há cerca de dois anos, sendo que os mandatos são anuais.

O jovem explica que Associação dos estudantes da Universidade de Santiago defende os direitos e interesses logísticos de todos os estudantes, promove e incentiva o associativismo estudantil e pauta por alguns princípios tais como: democracia, igualdade, a proximidade, participação e entre outros.

“Ser líder não é fácil”, afirma e admite que conciliar a vida pessoal e profissional tem sido desafiante, mas que julga ser uma experiência espetacular, até porque ser presidente da Associação é lutar pelo bem comum.

À semelhança do colega da Uni-CV, o jovem aconselha os caloiros a procurar primeiro a Associação, para conhecerem seus direitos e também a ter um objetivo e traçar uma meta na universidade.

 

 

Cátia Gonçalves/ estagiária

Alector Timas, Donaldo Rocha, Maruilson Lima
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