Retoma do turismo ajuda Cabo Verde a recuperar 85 ME nas reservas internacionais

Retoma do turismo ajuda Cabo Verde a recuperar 85 ME nas reservas internacionais

O ‘stock’ das reservas internacionais cabo-verdianas aumentou em 85 milhões de euros até março, em termos homólogos, impulsionado pela retoma turística, cobrindo mais de sete meses das necessidades de importações do arquipélago, segundo dados do banco central.

De acordo com dados de um recente relatório do Banco de Cabo Verde (BCV) com indicadores económicos e financeiros, a que a Lusa teve hoje acesso, as reservas internacionais líquidas do país chegaram no final de março a 619,4 milhões de euros.

“Passando a garantir 7,1 meses de importações de bens e serviços estimadas para o ano de 2022. O ‘stock’ das reservas oficiais no período homólogo permitia garantir 6,8 meses das importações de bens e serviços”, descreve o BCV, explicando esta recuperação com a melhoria das contas externas, nomeadamente, face à retoma da procura turística – a principal forma de arrecadação de divisas pelo arquipélago – desde o último trimestre de 2021.

Ainda assim, na previsão do banco central feita em abril, o BCV admite uma redução de 94 milhões de euros nas reservas internacionais do arquipélago só face ao agravamento défice da balança comercial provocado pelo aumento dos preços, causado pela guerra na Ucrânia.

De acordo com dados do relatório de política monetária do BCV, apesar dessa redução, o ‘stock’ das reservas internacionais líquidas de Cabo Verde deverá “garantir 5,8 meses das importações de bens e serviços projetadas para 2022”.

Cabo Verde terminou 2021 com 65.630 milhões de escudos (595,6 milhões de euros) de reservas internacionais líquidas, um aumento de 2,7% face a 2020, que então representou uma queda de 12,4% tendo em conta os dados do ano de 2019, em que esse ‘stock’ foi de 72.912 milhões de escudos (661,7 milhões de euros).

O arquipélago não tem capacidade de refinação e importa todos os combustíveis de que necessita, incluindo para a produção de eletricidade (para produzir quase 80% da eletricidade), além de 80% de todos os alimentos que consome, compras fortemente condicionadas nos últimos meses devido às consequências da guerra na Ucrânia, segundo dados do Governo.

Ainda de acordo com o relatório do BCV, o “agravamento” do défice da balança comercial do país, “refletindo a deterioração dos termos de troca na sequência do choque sobre os preços dos produtos importados”, a redução esperada nas transferências oficiais correntes em donativos, bem como “o aumento previsto no pagamento de juros da dívida externa pública, deverá deteriorar o défice da balança corrente”, passando de 13,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 para 15,7% em 2022.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística – setor que garante 25% do PIB do arquipélago – desde março de 2020, devido às restrições impostas para controlar a pandemia de covid-19.

O país registou em 2020 uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento económico de 7% em 2021, impulsionado pela retoma da procura turística no quarto trimestre.

Entretanto, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, o Governo cabo-verdiano reviu de 6% para 4% a perspetiva de crescimento económico em 2022.

 

Lusa

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