Santa Catarina: Crianças em marcha para sensibilizar sociedade para seus deveres e direitos

Centenas de crianças do pré-escolar e do ensino básico obrigatório saíram hoje às ruas, em Assomada, numa marcha para sensibilizar e chamar a atenção da sociedade para os deveres e direitos das crianças.

A marcha foi organizada pela delegação do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) na região Santiago Norte, com vista a assinalar o do Dia Internacional da Criança Inocente, Vítima de Agressão e Dia Internacional do Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrados hoje.

O delegado do ICCA, José Maria Varela, explicou que o objetivo para assinalar a data é chamar atenção da sociedade no sentido de estar sempre em alerta sobre a situação do abuso e exploração sexual de menores, que é uma realidade no mundo inteiro e na sociedade cabo-verdiana, em particular neste caso Santiago Norte.

Nesta região, avançou, de Janeiro a esta data foram registados 11 casos, sendo quatro no município de Santa Catarina e sete no município do Tarrafal, sendo este último um dos municípios que mais tem preocupado a instituição.

Prometeu que não vão “baixar a guarda” sendo o compromisso manter-se na luta ao lado dos diversos parceiros.

A mesma fonte indicou que o ICCA tem concretizado várias acções no terreno e hoje procedeu ao lançamento da campanha “Proteja – Crianças e Adolescentes Livres da Violência Sexual”.

O objetivo é mobilizar a sociedade cabo-verdiana em torno do direito à proteção para uma infância e adolescência livre da violência sexual.

Às vítimas do abuso e agressão sexual, o delegado informou que têm trabalhado em parceria com o Ministério Público e outras instituições para prestar um melhor acompanhamento possível, atuando de forma a apoiar as mesmas tendo em conta a “fragilidade” do momento e as dificuldades que possam vir a enfrentar no dia-a-dia.

A maior dificuldade tem sido os casos que acontecem dentro das famílias, deixando em alerta a necessidade de se ter um olhar atento sobre o abuso e exploração sexual, mas também outros tipos de abusos.

São crimes públicos, continuou, e podem ser denunciados por qualquer pessoa através da linha 800 10 20, ou da Polícia Nacional, ou então nas delegações de cada município.

José Maria Varela destacou, por outro lado, a importância do papel das monitoras e dos professores nesta luta, evidenciando que muitas vezes as crianças têm maior abertura com os seus professores ou monitoras e estes já têm de seguir os trâmites necessários quando presenciarem algum comportamento suspeito ou de alerta numa criança.

A Aldeia SOS também esteve presente nessa marcha e Etson Gonçalves, assistente educador de jovens dessa instituição, considerou que a Aldeia SOS é parceira na luta contra o abuso, exploração e agressão sexual de menores.

Avançou que tem trabalhado na sensibilização daas famílias para protegerem às crianças, além de oferecer um lar para as acolher quando são ameaçadas por essas situações ou sofrem abusos.

Igualmente, informou que Aldeia SOS tem um programa sobre Cuidados Parentais, cujo objetivo é reforçar os cuidados parentais para colmatar esta situação.

Da parte da Câmara Municipal de Santa Catarina, o diretor da Educação e Formação Profissional, Claudino Cabral, sublinhou que a autarquia tem como uma das missões promover e contribuir para o bem-estar da sociedade e as crianças fazem parte desse todo.

Reforçou que esta é a câmara com mais jardins públicos a nível do país, cerca de 40, demonstrando assim a “responsabilidade” que esta tem para com os mais pequenos.

A monitora Alcione Borges, do Jardim Alicerce da Aprendizagem, por seu lado, além de estar ciente da missão e do papel das monitoras no cuidado às crianças, apelou aos pais e a toda a sociedade para que protejam às crianças e lhes deem atenção, mas sobretudo cuidado e amor.

O Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão é celebrado anualmente a 4 de Junho com o objetivo de evidenciar e reconhecer a realidade em que tantas crianças têm que viver, desde contextos de guerra, violência sexual ou sequestro.

A data foi proclamada através da Resolução ES-7/8, adotada na Assembleia Geral da ONU de 19 de Agosto de 1982 e traduz o compromisso da ONU de proteger as crianças através da «Convenção dos Direitos da Criança».

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest