Santantonenses defendem classificação de obras hidráulicas, caminhos e estradas como património da humanidades

Os santantonenses têm estado a insistir na necessidade de serem classificadas como património da humanidade as obras hidráulicas (levadas e pontes), caminhos vicinais e estradas construídas, ainda na era colonial, na ilha de Santo Antão.

“Quando se penetra no interior da ilha de Santo Antão verifica-se vestígios antigos de construções extraordinárias com um valor incomensurável dada a orografia da ilha”, explica Jorge Eduardo Monteiro, que destaca os caminhos vicinais, os socalcos, levadas, tanques, muros, diques e pequenos túneis construídos na área colonial.


Além dos túneis construídos nas ribeiras da Janela e das Pombas, ambos no Paul, salienta ainda as estradas Porto Novo/Ribeira Grande (via montanha), Ribeira Grande/Paul/Janela, Ribeira Grande/Ponta do Sol, Ponte Sul/Ribeira da Cruz e Boca de Ambas-as-Ribeiras/Garça.


São obras construídas no fim da década de 1970 e na década de 1980 e que “são marcas indeléveis de um trabalho incrível, meticuloso, seguro e de qualidade que merecem ser classificadas como património mundial da humanidade”, no entender de Jorge Monteiro.


“Se os socalcos dos Açores, da Madeira e do vale do Douro, em Portugal, são considerados património mundial, o que dizer das obras de Santo Antão feitas com carinho, sapiência, competência de trabalhadores anónimos, que deviam ser homenageados”, avançou este santantonense.


Jorge Monteiro, junta-se a outros santantonenses que têm defendido a classificação dos caminhos vicinais, das infra-estruturas hidráulicas e das estradas de Santo Antão como património da humanidade.


É o caso, também, de Bartolomeu da Luz, que propôs, recentemente, a Associação dos Municípios de Santo Antão a organizar, com o apoio do Governo, o processo com vista à elevação dessas obras a património da humanidade.


O edil da Ribeira Grande, Orlando Delgado, tem sido, também, um dos defensores da classificação das levadas, caminhos e estradas a património mundial, tendo já proposto ao Instituto do Património Cultural a analisar essa possibilidade.


A Associação dos Municípios de Santo Antão (AMSA), já em 2009, tinha feito “uma primeira abordagem” ao Governo sobre a possibilidade de se preparar uma proposta de candidatura da própria ilha a património natural da humanidade, por entender que esta região é “já um património que tem de ser preservado”.


A ideia é defendida, também, pelos operadores turísticos santantonenses, que destacam o facto de sítios como Fontainhas, Tarrafal de Monte Trigo, vale do Paul, Planalto Norte, Planalto Leste apresentarem características para serem certificados como património natural da humanidade.


O antropólogo santantonense Alcides Lopes entende, também, que Santo Antão apresenta requisitos para ser património natural da humanidade, o que seria, a seu ver, “uma mais-valia” para esta ilha, por causa dos benefícios que traria do ponto de vista cultural e turístico.


O próprio Governo já admitiu que algumas regiões de Santo Antão, além do “grande potencial económico e ambiental”, têm ainda “particularidades” que podem levar a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) a atribuir o tal estatuto de património da humanidade.


Em 2019, o parque natural de Cova/Paul/Ribeira da Torre recebeu o prémio Melina Mercouri, instituído, em 1995, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), para a salvaguarda e gestão de paisagens culturais.


O prémio abre a possibilidade das “regiões de Santo Antão” virem a ser classificadas como património da humanidade”, defendeu, recentemente, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas.


Aliás, o Instituto do Património Cultural diz estar a analisar com as câmaras de Santo Antão a candidatura, a médio prazo, do parque natural Cova/Paul/Ribeira da Torre a património mundial.


Santo Antão prepara, também, a sua candidatura a património mundial da agricultura, no âmbito dos Sistemas Importantes Agrícolas Património da Humanidade (SIPAM).

 

Inforpress

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