
- PUB
O presidente da ACAISA, Felisberto Veiga, considerou hoje, em entrevista à Inforpress, que o financiamento e a mobilização da água são os “dois grandes desafios” que o sector da agricultura em Santiago Norte enfrenta atualmente.

“Ao longo dos 25 anos, a Associação Comercial, Agrícola, Industrial e de Serviços de Santiago (ACAISA) tornou-se numa associação de incontornável referência em Santiago Norte, no domínio da agricultura, da inovação, de pequenas indústrias, da formação, das questões empresariais e da cooperação internacional”, disse, admitindo que “não são 25 anos de muita maravilha, mas 25 anos de muita aprendizagem”.
A prática da agricultura em Santiago Norte, em particular, está na persistência das pessoas e na inovação tendo em conta que, segundo ele, o país não chove muito e não há abundância de terra.
De entre uma “lista enorme” de grandes desafios para o sector agrário, além do financiamento e da mobilização de água, Felisberto Veiga apontou a modernização da agricultura, o mercado e a certificação dos produtos.
Relativamente ao acesso ao financiamento, assim como os agricultores da região Norte da ilha de Santiago, o líder associativo defendeu a criação de um Banco de Desenvolvimento ou de Fomento para a área agrícola, tendo em conta, que segundo ele, não obstante os programas/garantias do Governo, ainda há muitas burocracias por parte dos bancos comerciais.
Segundo alguns agricultores de Santiago Norte entrevistados pela Inforpress, sem financiamento não vão conseguir fazer a transição de rega por alagamento para gota-a-gota e de uma agricultura de subsistência para uma de rendimento, insistindo na criação de um Banco de Desenvolvimento para apoiar os homens e mulheres do campo.
“Sem financiamento e sem recursos financeiros, infelizmente não é possível ter agricultura em parte nenhuma”, reafirmou.
A organização, fundada a 16 de Agosto de 1997, segundo Veiga cada vez mais tem apostado no agro-negócio ‘tout court’, que passa pela mobilização de água, ordenamento da área de produção agrícola e em modelos de parques agroindustriais.
Aliás, defendeu que este modelo de parque agroindustrial é o que se deve seguir numa agricultura planificada e com gestão de água, acrescentando que a montagem de uma cooperativa poderá ser um desafio para o futuro.
Em relação ao parque agroindustrial, informou que a ACAISA tem em curso o projeto-piloto em Ribeirão Areia, Santa Catarina, no interior de Santiago, financiado pelo PRORURAL+, em 213 mil euros, sendo que uma parte deste montante é comparticipada pelo Governo de Cabo Verde e pelo Governo Regional dos Açores.
O referido projeto de cooperação transnacional “semear, colher e vender”, segundo Felisberto Veiga, conta com uma área de aproximadamente quatro hectares de terreno, uma perfuração própria (furo de água) e tem produzido nos últimos seis meses aproximadamente 10 toneladas de produtos.
Por tudo isso, este empresário agrícola não tem dúvidas de que, se investir em modelos de parques agroindustriais, daqui 25 anos a agricultura regional vai ser moderna, capaz de criar empregos de referência, certificada e com mais acessos ao mercado nacional, sobretudo turístico.
Inforpress

Site agregador de notícias e conteúdos próprios e de parceiros, com enfoque em Cabo Verde e na Diáspora, que quer contribuir para uma maior proximidade entre os cabo-verdianos.
+238 357 69 35
geral@balai.cv / comercial@balai.cv / editorial@balai.cv