São Vicente: “A Adeco precisa saltar para um outro nível” – presidente

O presidente da Associação de Defesa do Consumidor (Adeco), Marco Cruz, admitiu que a ONG precisa “saltar para um outro nível” e deixar a “fase de instalação em que se encontra, mesmo com 23 anos de existência”.

 

 

O responsável da associação com sede em São Vicente fez esta leitura hoje à Inforpress, a propósito da celebração do 23º aniversário da ONG, assinalado hoje.


Marco Cruz disse que a Organização Não Governamental (ONG) comemora este aniversário com “sentimento de um dever bem cumprido”, dadas as circunstâncias em que se vive “num País em construção como um todo e de uma Adeco que procura instalar-se cada vez mais em Cabo Verde”.


“Eu digo instalação, porque apesar destes 23 anos, a associação precisa saltar para um outro nível em termos de instituição, com muito mais robustez, com muito mais profissionalismo”, sustentou a mesma fonte, adiantando ser o voluntariado o que mais tem ajudado a Adeco.


A associação, ajuntou, tem enfrentado alguns desafios, entres as quais o facto de a sociedade se ter tornado “muito complexa” e com “várias agências de regulação”, que provoca uma “demanda cada vez mais crescente”.


“Não só para atender, diariamente, o cidadão, os consumidores e associados, mas também para dar resposta a todas as solicitações de outras instituições, os pareceres que a Adeco tem que emitir, o posicionamento que tem que ter em muitos aspectos da sociedade”, sustentou, reafirmando a falta de recursos humanos para tal resposta.


E para esta mudança, assegurou Marco Cruz, será preciso a intervenção do Governo para “alavancar a associação”, que considera ter tido um “impacto positivo” na sociedade e que “antes nem sabia se tinha direitos e hoje preocupa-se em denunciar os problemas”.


“Espero que haja agora mais sensibilidade para que se dote esta associação de mais recursos à altura dos desafios actuais”, sustentou o responsável, que disse estar à espera de uma resposta da ajuda do Governo para com a instituição que “tem um papel que nenhuma agência reguladora poderá representar”.


Por outro lado, conforme a mesma fonte, é “preciso fazer com que as leis sejam respeitadas e que não sejam `self-service´” e ter o cidadão sempre com “postura reivindicativa”.


“Esta é que é a nossa missão, de construir uma sociedade mais forte no sentido de reivindicar a aplicação das leis e é isso que vamos continuar a fazer”, reiterou Marco Cruz, para quem o Estado e os municípios “devem assumir as suas responsabilidades de apoiar” a Associação de Defesa do Consumidor, que tem como “maior desafio” estar em outras ilhas.


Isto porque, explicou, a Adeco com “cerca de três mil sócios”, com a sua sede em São Vicente e com duas delegações no Sal e em Santiago (Cidade da Praia) e está a lutar para ter “em breve” representação na ilha da Boa Vista.


Marco Cruz lembrou que a associação nasceu em São Vicente derivado de um “impulso” da sociedade civil, a mesma dinâmica que quer para se instalar nas outras ilhas, embora, considerou, a ajuda do poder público seja “muito importante” para tal objectivo.


A Adeco assinalou hoje mais este aniversário com uma webinar “Adeco, 23 anos na defesa e protecção dos direitos do consumidor cabo-verdiano”.

Inforpress

 

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