Agressores devem ter acompanhamento psicológico e psicossocial para evitar reincidência, diz psicóloga

A psicóloga Suzi Chantre assinalou hoje, a importância do acompanhamento psicológico e psicossocial dos agressores para além da medida judicial, que não tem sido “tão efetiva” em Cabo Verde, podendo evitar também “a grande chance” de reincidência.

A especialista falava à Inforpress a propósito do primeiro Congresso Internacional de Saúde Mental em Cabo Verde, que visa trazer à ordem do dia a problemática da saúde mental, a acontecer quinta e sexta-feira, na Cidade da Praia, e no qual irá debruçar sobre violência sexual nas crianças e adolescentes, uma problemática bem presente na sociedade cabo-verdiana.

“São indivíduos que devem ter acompanhamento para além da medida judicial aplicada, porque caso não for aplicada outro tipo de intervenção ou acompanhamento psicossocial haverá grandes chances de praticar o crime novamente”, explicou Suzi Chantre.

A seu ver esta medida não tem sido “tão efetivo”, mas a aposta, enfatizou, precisa ser na reinserção social que inclui acompanhamento psicológico e psicossocial.

Durante a sua intervenção no evento, a psicóloga vai debruçar sobre o estudo realizado em Cabo Verde em 2017 “Diagnóstico sobre o perfil dos condenados por crimes sexuais contra menores” que mostra que, assim como noutras paragens, a maioria dos casos de violação sexual de menores no país acontece no seio familiar.

O estudo, citou a psicóloga, mostra que a maioria dos agressores não tem uma preferência ou transtorno relacionado com a pedofilia, trata-se de uma questão de oportunidades.

“São indivíduos cujas preferências, satisfação sexual, não estão relacionadas àquela faixa etária, mas cometem este crime por motivo de oportunidade de praticar o acto com o pensamento que talvez será impune, e está relacionado também com a negligência, e a negligência familiar vem de qualquer status social”, sublinhou.

Por outro lado, explicou Suzi Chantre, os agressores são sujeitos com um histórico de abuso, ou seja, foram abusadas quando crianças ou adolescentes, que podem estar em situação de desemprego, não tiveram uma boa infância, podem ter sofrido algum tipo de agressão parental, uso abusivo de álcool ou de outra substância.

“Indivíduos que em algum momento tem alguma frustração na vida, e acabam por acometer este crime para se sentir de alguma forma “dominante”, e quando as pessoas vão para cadeia e cumprem penas e não é trabalhado neles, a probabilidade de voltarem a cometer o crime é grande”, reforçou a especialista, reiterando a necessidade do acompanhamento.

Inforpress

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