Brava: Casos de VBG estão relacionados com a desigualdade social e o álcool, diz técnica social

A técnica social do Centro de Apoio à Vítima (CAV) de VBG, Domingas Coelho, considerou hoje que a base dos casos de VBG, na Brava, encontram-se ligadas com a dependência financeira e o consumo excessivo de álcool.

Domingas Coelho falava em entrevista à Inforpress, demonstrando-se “preocupada” com a situação da ilha em relação aos casos de Violência Baseada no Género (VBG), onde de Janeiro a esta data, registaram-se 38 casos, tendo uma maior prevalência na localidade de Furna.

Segundo a mesma fonte, tem estado a trabalhar na sensibilização no terreno, e continua a defender que é preciso fazer mais, mas realçou que o CAV não possui recursos financeiros e nem técnicos que permite realizar ou concretizar todas as atividades que constam do plano de atividades, exemplificando com o caso da falta de transporte onde é dependente da Câmara Municipal da Brava para deslocar-se para outras localidades.

Como prova de que as campanhas de sensibilização têm surtido efeito, exemplificou com os dados de denúncias que registou a partir de Julho de 2021, altura em que iniciou as suas funções, onde a taxa de prevalência foi na localidade de Lomba e, este ano, ao trabalhar na sensibilização da comunidade a situação “melhorou muito”.

Diante dos dados, a técnica social do CAV realçou que a ilha Brava, apesar de ser pequena, tem um registo “significativo” de casos de VBG, realçando ainda que há muitos que não são denunciados.

Questionada sobre os tipos de violência mais predominantes na Brava, Domingas Coelho ressaltou que normalmente as mulheres sofrem quase todos os tipos de violência, mas a física, psicológica e patrimonial tem sido as que mais se destacam nesta área.

Sobre as queixas, a mesma explicou que a maioria dos casos que dão entrada no CAV são queixas apresentadas à Polícia Nacional e alguns casos de denúncia que surgem durante as acções de sensibilização que o centro tem realizado nas comunidades.

Domingas Coelho apela à “mais solidariedade” nas comunidades, realçando que é preciso prestar apoio às vítimas, principalmente os vizinhos que possuem um “papel crucial” nestas situações, que ao identificarem casos de VBG devem denunciá-los nem que seja de forma anónima.

Já sobre os motivos que levam as vítimas a ficarem caladas, a técnica apontou o medo dos parceiros e do julgamento da sociedade, mas também a dependência financeira.

O intuito, segundo Domingas Coelho, é continuar com as ações de sensibilização para tentar diminuir os casos de VBG, ou então encorajar as vítimas a denunciarem tais situações, pois os dados são “preocupantes” pela dimensão e número de população na ilha, pretendendo chegar mais vezes à localidade de Furna sem se esquecer das outras zonas.

Inforpress

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