Brava: Paternidade responsável é o caminho para se ter uma sociedade diferente e com menos delinquência, diz psicóloga

A responsável pelo Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) na Brava, Mileida Cabral, defendeu hoje que a paternidade responsável é o caminho para se ter e construir uma sociedade diferente e com menos delinquência.

Mileida Cabral fez estas declarações em entrevista à Inforpress, a propósito do Dia do Pai que se assinala hoje, 19 de Março, reforçando que a paternidade responsável não significa somente responsabilizar-se pela alimentação ou pelos bens materiais, mas sim trabalhar e desenvolver a parte afectiva que muitas vezes tem apresentado uma certa fragilidade na sociedade.

Desenvolvendo essa paternidade responsável, a mesma fonte realçou que as crianças serão adolescentes e jovens saudáveis, diminuindo assim o envolvimento no consumo de álcool e de drogas no futuro, pois haverá menos crianças e adolescentes rebeldes.

Conforme explicou Mileida Cabral, o que se tem deparado no terreno nos dias actuais é um grande número de famílias monoparentais e na maioria com mulheres chefes-de-família.

E neste sentido, tem vindo a trabalhar na sensibilização da sociedade, com maior incidência na figura do pai, no sentido de este participar activamente na educação dos filhos, além de mostrar a “figura” importante que o pai significa para uma criança quando exerce a paternidade responsável. 

Pois, destacou que além do apoio moral, o pai é a figura que passa segurança, figura de autoridade para impor limites, que a criança vê como o maior transmissor de valores e que vai ajudá-la na construção da sua identidade e carácter no futuro.

Ao falar e “insistir” na importância do pai para a criança, a psicóloga enfatizou que sempre pressiona a tecla “presença” no seu sentido mais lato, demonstrando ao pai que este deve ser presente não só para estar aí, mas também para, além da contribuição na alimentação, bens materiais, criar laços afectivos fortes, fazendo com que a criança seja uma criança segura de si e convicta daquilo que quer, sem nenhuma fragilidade sentimental.

“É preciso e necessário que o pai estabeleça um laço afectivo, que dê abraços, beijos, brinque, converse, realize actividades em conjunto, participar activamente nas actividades da escola”, indicou a mesma fonte, demonstrando assim alguns dos aspectos em que o pai deve participar para desenvolver e contribuir para a paternidade responsável, e assim ter crianças adolescentes e jovens futuramente saudáveis na sociedade.

E ao participar na criação e educação dos filhos, Mileida Cabral destacou que assim inicia a construção de uma sociedade “mais justa”, contribuindo para a promoção da equidade de género, reduz a pobreza, entre outros.

Questionada sobre as consequências da ausência do pai ou mesmo do não exercício da paternidade responsável na vida da criança e para a sociedade, Mileida Cabral começou por exemplificar que são crianças inseguras, com medo, baixa auto-estima, que mais tarde podem ser adolescentes rebeldes que tentam se auto-mutilar, ou mesmo adolescentes e jovens que entram na vida de delinquência, usam álcool e outras drogas, causando instabilidade na sociedade e muitos impactos negativos.

E para finalizar, Mileida Cabral apela ao pai que este seja um ombro amigo das crianças, para assim crescerem saudáveis emocionalmente, que compartilha o desenvolvimento das crianças com as mães, mas que acima de tudo dê bons exemplos porque é no pai que o filho se inspira.

Inforpress

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