Câmara de São Filipe e Governo devem ter uma solução para acudir as famílias afectadas pelo incêndio, diz Nuias Silva

O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuias Silva, admitiu hoje que a autarquia e o Governo devem ter uma solução para acudir as famílias afectadas pelo incêndio de Ponta Verde.

Ao ser questionado sobre possível compensação às famílias que perderam parte de terrenos agrícolas e árvores de frutas, Nuias Silva advogou que o objectivo de momento é extinguir o fogo que está numa situação controlada, mas que ainda (11:00) não foi dado por extinto.

“A seguir a extinção do incêndio vamos traçar plano para avaliar juntamente com o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) os estragos causados, sobretudo a sua dimensão, nos terrenos agrícola”, disse o autarca, salientando que se fala muito de estragos consideráveis de árvores fruteiras na zona de Roqueira e na parte alta de Ponta Verde.

Nuias Silva avançou que é uma situação que ainda não está diagnosticada e não se sabe se há perdas de animais por parte dos criadores, já que é uma área importante de criação devido à abundância de pastos.

“Vamos analisar a situação e a câmara, juntamente com o Governo, deve ter uma solução para acudir as populações”, referiu o edil de São Filipe, que apontou como possibilidade a transferência de abertura de frentes nestas localidades para poder gerar algum emprego e rendimento às famílias, mas também analisar com o Governo que tipo de compensação se pode dar consoante analise que venha a ser feita.

A avaliação deve iniciar ainda esta semana, mas sobretudo na próxima semana para permitir que o terreno fica com menos calor, possibilitando assim a identificação dos estragos provocados.

“À vista desarmada, a partir das zonas altas, grandes áreas foram consumidas pelas chamas e não sabemos se são todas áreas de agricultura activa, ou se devido as secas e maus anos agrícolas dos últimos três anos, parte dos terrenos estavam abandonados e com muito pastos”, pontuou Nuias Silva, assegurando que perdeu muito pastos, sobretudo os armazenados em currais que foram invadidos pelas chamas.

“Não há informações de perdas de animais e da quantidade de árvores fruteiras consumida pelas chamas”, salientou o autarca, que deu parabéns às equipas de bombeiros voluntários e de protecção civil dos três municípios da ilha, da Cruz Vermelha e da própria população pelo trabalho realizado e “com sucesso” relativo no controlo da situação que podia ser muito pior.

Sobre a criação de um corpo de bombeiros profissionais na ilha, o autarca de São Filipe disse que este incêndio colocou, mais uma vez, a nu, a falta de um corpo de bombeiro profissional, sublinhando que “há uma necessidade imperiosa do Governo dotar a ilha de recursos necessários para a criação de um corpo de bombeiros e de protecção civil instalado no Fogo para dar resposta, não só aos três municípios da ilha, mas para rapidamente acudir a vizinha ilha Brava”.

“Temos uma região que representa um risco elevado para a protecção civil e já é hora de, a nível regional, a Associação dos Municípios do Fogo e da Brava, juntamente com o Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, instalar efectivamente, aquilo que já existe em teoria, o sistema regional de protecção civil na ilha do Fogo”, advogou Nuías Silva.

Nuías Silva lembrou que foi instalado um núcleo administrativo, mas não foi densificado com recursos humanos e materiais, apontando que na ilha do Fogo nenhum dos municípios tem carro de combate a incêndio com capacidade para mais de cinco bidões de água, obrigando que no processo de combate ao incêndio os operacionais tenham de parar para reabastecer os pequenos autotanques para depois dar continuidade.

O autarca deixou o repto aos demais municípios e ao Governo no sentido de se sentarem à mesa e dialogar para a região ter todas as condições e uma capacidade mais efectiva internamente, sem descorar o reforço com militares que têm outro tipo de experiência.

O incêndio deflagrou por volta das 07:30 de terça-feira, por descuido de um agricultor que fazia limpeza do seu campo, no quadro da preparação para o novo ano agrícola na zona de Fontinha, parte alta de Ponta Verde.

Devido à acção do vento o foco propagou-se para zonas vizinhas de Roqueira, Monte Vaca, Galinheiro e Ilhéu de Contenda, destruindo grande parte de terrenos agrícolas e árvores de frutas, nomeadamente mangueiras.

Inforpress

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