Empresa comunitária de reciclagem desafia população a colaborar com matéria-prima para sua produção

A empresa comunitária cabo-verdiana de São Francisco Ekonatura apresenta a partir de hoje, no Palácio de Cultura Ildo Lobo, a exposição “Poder das comunidades – Reciclando Vidro na areia e plásticos nos brinquedos”, desafiando Santiaguenses a colaborar com matéria-prima.

Ekonatura é uma empresa comunitária cabo-verdiana de São Francisco, ilha de Santiago, criada para reciclar vidro e plástico e produzir artesanato.

Através de trituração de garrafas de vidro, transformada emareia de “excelente qualidade”, fabrica vasos, acessórios para casa de banho e outros objectos decorativos.

De acordo com a administradora da Produção e Evento da Ekonatura, Eunice dos Santos, a empresa nasceu no âmbito do projeto “Raiz Azul”, um projecto implementado pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV)    e pela Associação Cabo-verdiana de Ecoturismo (ECOCV).

Eunice dos Santos explicou que antes de dar início à implementação do projecto, juntamente com os integrantes da empresa, fez-se uma avaliação no terreno, para ver quais matérias-primas existiam no território de São Francisco, onde notaram que o que havia em grande quantidade eram plásticos e vidros.

Daí começaram a trabalhar neste projecto em que foi determinado que a partir dos utensílios de plásticos e de vidros iriam produzir mosaico, pavê, vasos e areia para construção, de entre outros objectos decorativos para variados cómodos da casa.

No entanto, conforme esta responsável, a princípio enfrentaram algumas dificuldades na recolha dos elementos, porque, ressaltou, por mais que fizessem sensibilização da importância destes para o trabalho de reciclagem, a população insistia em colocá-los no lixo.

“Mas depois convidamos a população para apresentar-lhes o nosso trabalho, começaram a colaborar, a aguardar os utensílios em casa e vamos buscar. As pessoas em São Francisco não tinham ainda conhecimento de que com a areia de vidro fazia-se construção, mas hoje já tem esta informação, e estão a colaborar connosco na recolha dos materiais, aguardam em casa, o que facilita”, salientou a administradora.

O projecto que, teve seu início em 2019, segundo Eunice Santos, tem surtido “algum retorno”, recebem várias visitas e fazem algumas vendas, mas, perspectivou, contam com uma “maior” divulgação e aumentar a rentabilidade para que a empresa seja “de sucesso”.

A mesma destacou também a importância deste projecto para a natureza, que contribui para a limpeza e consequentemente para a saúde do meio ambiente, tendo desafiado a população da ilha a colaborar com a empresa em prol do desenvolvimento da comunidade.

Santos apontou que por agora a Ekonatura é composta por três mulheres e dois homens e que almejam ser exemplo para as outras comunidades.

Por sua vez, a vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Ecoturismo (ECOCV) Edita Magileviciute, precisou que o projecto é financiado pelo fundo Darwin Initiative, do Reino Unido, visando diminuir o impacto negativo a nível ambiental, aumentar o conhecimento e a valorização da biodiversidade marinha e desenvolver uma rede de ecoturismo rural para melhorar a qualidade de vida nas comunidades costeiras da ilha de Santiago.

A ideia, segundo esta responsável, é que a empresa Ekonatura seja independente, capaz de organizar seu trabalho e rentabilizar com seus produtos, mas, garantiu que continuarão a dar suporte técnico.

Ainda na parte da reciclagem, informou, e ECOCV está a colaborar também com a Cooperativa Feminina Sulada, com sede na Gouveia, pelo que alguns objectos da cooperativa (brinquedos com plásticos reciclados) estão também na exposição referida.

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Deixe um comentário

Follow Us