Enfermeiros inscritos na bolsa de competência descontentes pedem resolução dos seus problemas

Os enfermeiros inscritos na bolsa de competência, actual reserva de recrutamento, do concurso realizado pelo Ministério da Saúde em 2018, mostram-se descontentes com a situação laboral precária e pedem resolução dos seus problemas.

Em comunicado enviado à comunicação social e pedindo anonimato, os enfermeiros que, segundo eles, estão a “trabalhar na linha da frente no combate á pandemia da covid-19 em Cabo Verde”, estão contratados no âmbito da covid-19, com descontos legais no salário, porém sem direito a segurança social, férias e quaisquer vínculos com o Ministério da Saúde.

Conforme a mesma fonte, o contrato renova-se de três em três meses, “beneficiando apenas o Ministério da Saúde”, uma vez que o vinculo pode ser desfeito quando o ministério determinar, justificando que vieram ao público, após a declaração do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, de que o Governo irá contratar mais enfermeiros no âmbito da covid-19.

“Viemos, através da comunicação Social, mostrar o nosso descontentamento e agradeceríamos uma resposta em breve do ministro da Saúde e do primeiro-ministro em relação à nossa situação”, pediram, questionando como pode o Governo querer contratar mais enfermeiros se “não tem conseguido resolver os problemas dos que já estão contratados”.

Para além do acesso à segurança social, esses profissionais apontam o atraso no pagamento das horas extras “por falta de verbas, como afirma o próprio Governo” e perguntam até quando vão ficar contratados, visto que já sofreram “várias ameaças de rescisão dos contratos, principalmente quando os casos de covid-19 diminuem”.

Os enfermeiros explicam que ficaram na bolsa de competência, conforme o regulamento do concurso e “após ser violado pelo próprio Ministério da Saúde”, este os enviou um email com a integração dos enfermeiros na reserva de recrutamento, sendo que esta situação já dura há três anos e sem qualquer resposta.

“Ouviu-se rumores do Ministério de Saúde que teremos que participar em um novo concurso, mas seria uma autêntica injustiça e falta de respeito perante os enfermeiros que aguardam há três anos e que não têm pensado em outra coisa senão na nomeação”, afirmam, acrescentando que com o anúncio do primeiro-ministro de que irá contratar mais enfermeiros para combater a covid-19, defendem a resolução da sua situação para depois se contratar mais enfermeiros.

“Na nossa opinião, mesmo que não haja verbas para nomear estes enfermeiros, mas participar em outro concurso, após três longos anos de espera está fora de questão”, frisam, propondo a continuação na reserva de recrutamento para esperar o preenchimento de todas as vagas e, só depois, lançar outro concurso.

“Temos provas de que o concurso foi violado com a entrada dos enfermeiros não selecionados para as 179 vagas, enfermeiros que foram excluídos segundo o regulamento. Nós não podemos ser prejudicados por um regulamento que foi violado pelo próprio Ministério da Saúde”, afirmam.

Os enfermeiros inscritos na bolsa de competência concluíram, garantindo que sempre estiveram “prontos para trabalhar, aguardando três anos, mas que “chegou a hora” de terem uma resposta, pois querem exercer a profissão em melhores condições.

Contactado, o Ministério da Saúde, através do Gabinete de Comunicação, prometeu reagir logo que possível.

 

Inforpress

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