Estudantes cabo-verdianos no Ruanda criam pequeno negócio de gelados inspirado nas tradicionais ‘fresquinhas’

Odair Monteiro, natural do Tarrafal de Santiago, e Andreia Ramos, natural da cidade da Praia, do bairro da Vila Nova, são dois jovens cabo-verdianos que estão no Ruanda desde 2019 e para fazer face às despesas nesse país africano resolveram apostar num negócio próprio.

Em 2018, os dois estudantes cabo-verdianos candidataram-se a um programa africano da universidade ruandesa African Leadership University (Universidade Africana de Liderança) que oferecia 100 bolsas de estudo no âmbito do centenário de Nelson Mandela ( The Mandela Centennial Scholarship Program).

Apesar de não terem sido selecionados candidatos cabo-verdianos Odair e Andreia acabaram por conseguir uma bolsa de estudos, através do Instituto Pedro Pires, financiada pela Ficase.

Os jovens acabaram por seguir para Ruanda em 2019. Depois de seis meses nesse país africano, os dois estudantes cabo-verdianos aperceberam-se que o custo de vida nesse país era muito elevado e mesmo tendo uma bolsa de estudos precisariam de uma outra fonte de renda.

Paralelamente, repararam que não era muito comum encontrar no mercado doces e gelados, pelo menos a preços acessíveis a todos. Assim, inspirados na tradicional fresquinha de Cabo Verde e apesar de não terem grande experiência em confeção desse tipo de produtos, os dois estudantes cabo-verdianos resolveram poupar algum dinheiro e investir num pequeno negócio, segundo explica Odair.

O arranque foi complicado, diz Andreia, porque não tinham capital para fazer o investimento inicial e tiveram de poupar por cerca de um ano e, inicialmente, só vendiam online.

Conseguiram sair do dormitório e mudaram-se para um apartamento o que lhes permitiu fazer os doces e as fresquinhas na cozinha da residência. Assim, surgia em 2021 o Nziza Candy & Ice Cream.

“Acho que somos os primeiros a fazer gelados de pau aqui no Ruanda”, diz Andreia e mais adiante explica que a nível de sabores fazem cerca de 15 variedades diferentes.

Neste momento distribuem os gelados em três sítios diferentes e continuam a vender online, através das redes sociais, em duas plataformas, em que fazem entregas.

A jovem explica que conciliar a produção e venda de doces e gelados com os estudos tem sido desafiante e, segundo Odair, o que ajuda é que os horários das aulas são bastante flexíveis.

No próximo ano, devem terminar a sua formação e ambos não excluem a hipótese de ficar nesse país africano a operacionalizar o negócio e quiçá implementar noutros países africanos e, porque não, em Cabo Verde.

Viver no Ruanda

Segundo os dois cabo-verdianos, a maior barreira ao chegar ao Ruanda foi a língua, já que além do inglês falam-se vários idiomas no Ruanda. Mas tanto Odair como Andreia elogiam vários aspectos da vida quotidiana Kigali, nomeadamente, a segurança, a saúde pública e proteção do ambiente.

Outro factor enaltecido por Andreia é o ambiente multicultural e a diversidade no meio estudantil, que no entender da jovem são duas das grandes mais-valias do ensino superior nesse país africano. Daí que aconselha aos jovens cabo-verdianos a procurarem bolsas de estudos disponíveis online.

Veja a entrevista em vídeo em cima.

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