ICIEG confirma aumento de casos de VBG e associa-o ao contexto pós-pandemia, crise económica e período de férias

Os casos de VBG em Cabo Verde têm aumentado nas últimas semanas, segundo a presidente do ICIEG, que acredita que o motivo se deve ao contexto pós-pandemia, a crise económica provocada pela guerra e o período de férias.

“Temos verificado, nas últimas semanas, um aumento de casos de Violência Baseada no Género (VBG), através da procura dos serviços do instituto e da polícia, mas já estávamos preparados porque sabemos que na atual conjuntura teríamos mais solicitações de emergência”, disse à Inforpress Mariza Carvalho.

A presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), que relaciona esse aumento a motivos como pós-pandemia, a crise económica provocada pela guerra e o período de férias em que todos estão em casa e daí mais situações de confronto entre os parceiros, admite ainda que muitas das situações estão associadas ao consumo de álcool e outras drogas.

Isso porque, sublinhou, a maioria das denúncias e de atendimento no hospital tem sido no período da tarde ou à noite.

Apesar de não ter dados para comparar os números face ao ano anterior, a presidente do ICIEG confirma o aumento com a procura que tem tido nos serviços do instituto.

“Vamos depois confrontar os dados com a polícia, mas podemos afirmar categoricamente que, com as solicitações e denúncias, os casos de VBG têm aumentado”, ressaltou, considerando que com as denúncias poderão fazer o seguimento e acompanhar as vítimas.

Neste sentido, disse que o ICIEG está preparado e com várias parcerias, a nível da sociedade civil, para trabalhar o tema nas mais diversas vertentes, começando pela Lei VBG, assistência e informação jurídica, acompanhamento psicológico e outros.

A presidente do ICIEG referiu-se também ao trabalho que vem sendo feito pela procuradoria no sentido de advertir a sociedade que algo vem sendo feito no sentido de penalizar o agressor/a e garantiu que a instituição tem vindo, durante todo o ano, a trabalhar na prevenção, para além de apoiar e seguir as vítimas.

Mariza Carvalho lembrou também que os casos de VBG acontecem em todas as classes sociais, apesar de se acentuarem na classe mais vulnerável.

Para um maior controle da violência baseada no género, aquela responsável apela à denúncia dos casos, pois, conforme ressaltou, violência não escolhe classe social e nem económica.

E para mudar o foco da VBG, a presidente do ICIEG admite a necessidade de se trabalhar e apontar em direcção aos que são o culpado do centro da violência, neste caso os homens, ensinando-lhes que a “brutalidade” não é aceitável e nem resposta para nada.

“Normalmente, os casos de violência estão associados ao consumo de substâncias várias, por questões de relação de poder, visto que o homem tem sempre aquela dominação perante a mulher ou por questões de separação”, afirmou, sublinhando, por outro lado, a necessidade de se trabalhar as masculinidades.

No caso dos homens, Mariza Carvalho assegurou que estes também têm denunciado situações de violência e até solicitando apoio para não responder a violência de forma física.

Face a isso, apela a um maior trabalho junto dos homens que exercem violência, aposta na prevenção junto dos jovens, pois, o maior problema de VBG situa-se nas mulheres com mais de 40 anos.

“Os jovens têm demonstrado que já não aceitam violência como a aceitaram os pais”, concluiu.

Inforpress

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