ICIEG defende necessidade de abordar violência urbana e saúde mental com foco nos agressores

A presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) vincou hoje a necessidade de mudar o foco e abordar a violência urbana, saúde mental e criminalidade nos agressores e não nas vítimas.

Marisa Carvalho falava na Cidade da Praia na abertura da conversa aberta sob o tema: “O que é ser homem? Desconstruir crenças para alcançar a efetiva igualdade de género”, enquadrado no Dia Internacional do Homem, celebrado no dia 19 de Novembro e promovido pelo ICIEG e pela Associação Laço Branco.

Inúmeras são as razões, segundo Marisa Carvalho, que justificam a importância de se também trabalhar nos agressores estas questões que assolam a sociedade cabo-verdiana, tendo a mesma indicado dados recentes que, segundo a mesma, “não podem ser ignorados”.

“Pudemos testemunhar em primeira mão ao longo dessa semana que na Cadeia Central da Praia a cada 100 presos 97 são homens, na Comunidade Terapêutica Granja São Filipe Granja a cada 33 internos 30 são homens, no Centro Orlando Pantera a cada 31 detentos 30 são rapazes”, assinalou.

Marisa Carvalho citou ainda noticias de segunda a quinta-feira, veiculadas na imprensa nacional, sobre violência de vária ordem, desde racial a abuso sexual em menores, de maneira que a seu ver estes “são sinais claros” que é necessário abordar as questões de violência urbana, da saúde mental, da violência baseada no género, criminalidade, responsabilidade parental, mas não na perspetiva das vitimas como tem vindo a suceder, mas sim nos agressores.

Segundo a mesma, as questões de género têm sido proferidas um pouco por todo o mundo como “assuntos de mulheres”, quando se pretende promover a igualdade entre os indivíduos, tendo em conta que para que essa igualdade seja exercida há que apoiar os indivíduos consoante as suas necessidades.

“O foco precisa ser mudado em vez de poupar as vítimas é necessário responsabilizar o agressor e isso depende de cada um de nós”, reforçou a presidente do ICIEG.

Por seu lado, o ministro da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, que presidiu o evento, pediu uma “análise profunda” sobre as causas que ainda impedem a sociedade cabo-verdiana chegar à “efetiva igualdade de género”.

O governante avançou que esta “importante conversa” veio em “boa hora”, e que Governo tudo fará para uma sociedade de igualdade de género, que haja autonomia económica, de   decisão, e liberdade a todos os cabo-Verdianos, “sendo que é isto que é promover igualdade de género, é dar oportunidades a todos”.

Inforpress

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