Igualdade e Equidade de Género: PR defende mais atenção à educação dos rapazes

O Presidente da República reconheceu hoje que há disfuncionalidades nas questões da igualdade e equidade de género em Cabo Verde e defendeu mais atenção à educação dos rapazes para não se gerar novas disfuncionalidades no futuro.

José Maria Neves falava durante a sua intervenção na abertura da IV Semana de Reflexão sobre a Violência Baseada no Género (VBG), que decorre de hoje a sexta-feira, 20, sob o lema “Igualdade de Género, Comunicação Inclusiva e Sustentabilidade”.

A iniciativa, que arrancou hoje no município do Tarrafal de Santiago, e que teve como palco o Mercado de Artesanato e Cultura, é promovida pela Associação Cabo-verdiana de Luta Contra Violência Baseada no Género (ACLCVBG), em parceria com a Presidência da República de Cabo
Verde e outros parceiros.

Na sua intervenção, o chefe de Estado começou por felicitar a ACLCVBG e todos os parceiros por criar esta oportunidade para se reflectir as questões da igualdade e equidade de género e a da violência com base no género e por as colocar na agenda.

Em relação às questões da igualdade e igualdade de género, não obstante estas estarem relacionadas às mulheres por serem as “mais vítimas” das igualdades existentes, sobretudo as económicas, sociais e na distribuição do poder, o chefe de Estado pediu para se prestar “mais atenção” sobre a educação dos rapazes.

É que, segundo Neves, “há uma grande desigualdade de género”, neste momento, notando que nos últimos anos há muito mais meninas que rapazes nas escolas, nas universidades, mas que, no entanto, nos grupos de ‘thugs’, nas prisões, no abandono escolar e os mais indisciplinados há muito mais rapazes que meninas.

“Há algumas disfuncionalidades aqui, que exige de nós uma atenção especial em relação à educação dos rapazes, para não gerar novas disfuncionalidades no futuro. Daí que, a nossa comunicação tem que ser necessariamente inclusiva, colocando a tónica sempre na igualdade e equidade de género”, alertou.

“Acho que é fundamental que prestamos atenção à educação dos rapazes para não criarmos daqui a pouco outros problemas na sociedade cabo-verdiana, que já estão a surgir”, institui, acrescentando que há muito mais meninas que rapazes nos “quadros de excelência” e mais rapazes indisciplinados do que meninas.

Por outro lado, o Presidente da República, que observou que a lei contra a VBG e a lei de paridade foram “ganhos importantes”, considerou a violência contra mulheres, violência no namoro e abuso sexual contra menores de “vergonha e mancha”, que existem na sociedade cabo-verdiana, que, salientou, têm que ser eliminados e reduzidos dessa sociedade “machista”.

Por sua vez, a presidente da ACLCVBG, Vicenta Fernandes, pediu um “djunta-mon” (juntar de mãos) dos governantes, dos políticos, da Polícia Nacional (PN), da sociedade civil, das câmaras municipais e dos parceiros de Cabo Verde, na luta contra a violência com base no género no País.

Na ocasião, falando do caso particular do Tarrafal, informou que nos últimos dois anos houve um aumento de número de vítima de VBG neste município santiaguense, situação que também tem acontecido em outros municípios do País e no mundo.

“A pandemia da covid-19 agravou a situação, e ainda mais com a guerra na Ucrânia temos que ser e continuar resilientes e preponderantes”, notou, assegurando que “não é difícil” combater este mal, se cada um fizer a sua parte na família, na vizinhança, no trabalho, nas escolas e nas redes sociais.

No evento, que reuniu mulheres e homens de várias instituições e corpo diplomático, estiveram ainda presentes o presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, José dos Reis, e a da secretária de Estado da Inclusão Social, Lídia Lima.

Durante a IV Semana de VBG em Cabo Verde será realizada várias actividades na ilha de Santiago, mormente Tarrafal, Praia, São Domingos, e Ribeira Grande de Santiago, a ACLCVBG prevê no final fazer uma apresentação pública das conclusões e recomendações sobre as novas formas do VBG no País.

O encontro ficou marcado ainda pela abertura do painel inaugural ” igualdade de género e sustentabilidade”.

Inforpress

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