Mãe pede criação de condições para uma “melhor inclusão” das crianças com deficiência na Boa Vista

Elisabete Rocha (Bety) é mãe de duas crianças com deficiência e pede às autoridades que criem as condições para uma melhor inclusão das crianças com necessidades especiais na ilha da Boa Vista.

Elisabete Rocha, que se encontra na cidade da Praia, com as duas filhas, Kelmira de 11 anos, e Kelissa de 9 anos, com paralisia central e motora respetivamente, para exames complementares, esteve a participar hoje nas atividades do dia da inclusão na Presidência da República, a convite da Colmeia, uma das parceiras na realização do evento.

Para esta mãe foi um “momento único e excecional” já que na sua ilha natal as suas meninas não têm tido oportunidade de participar de momentos de confraternização com atividades lúdicas, recreativas e desportivas, adaptadas a sua condição, com as vividas neste sábado.

Apesar de ela mesma trabalhar para garantir a integração das suas filhas, levando-as a passear, para a igreja e para a praia de mar, diz que sempre sente-se triste porque a ilha não dispõe de um centro educativo, recreativo e de acolhimento para as crianças com necessidades especiais.

“Queria deixar um apelo, principalmente para o Governo, para que nos dê alguma resposta na Boa Vista. Também à Câmara Municipal que não tem feito nada, que crie um centro educativo, recreativo e de acolhimento. Nós não temos escolas apropriadas, o que me deixa muito triste porque a minha filha fica em casa de forma permanente porque já passou da idade de ir ao jardim e não há outro espaço para a sua socialização”, disse.

Elisabete Rocha lembra que a inclusão não deixa de fora crianças só pelo facto de ter alguma deficiência, sublinhando que todas crianças são iguais independentemente da sua deficiência.

A mesma reclama também das respostas a nível da saúde, já que na Boa Vista a criança com paralisia cerebral tem acesso apenas à fisioterapia, devendo deslocar-se à cidade da Praia para realização de todos os outros exames e consultas de especialidade.

A participar “num dia da inclusão na Presidência da República”, foi o único pai a acompanhar o filho. João José do Rosário, pai de Vanderley de 5 anos, com paralisia cerebral, aproveitou para apelar aos companheiros que não deixem todos os filhos sob a responsabilidade das mães.

João José pediu a todos os pais que estejam mais presentes, que acompanhem, abracem e cuidem da melhor forma os filhos, independentemente da sua condição ou nível de deficiência.

A Presidência da República promoveu hoje um conjunto de atividades recreativas, lúdicas e de desporto adaptado, destinado às crianças com necessidades especiais, no quadro da Semana da Inclusão, realizada por iniciativa da primeira-dama, Débora Carvalho.

Foi o culminar de uma semana em que essas crianças com necessidades especiais estiveram no centro das atenções, com discussões das formas e ações para promover uma verdadeira integração na sociedade cabo-verdiana, nos diversos domínios.

As crianças tiveram a oportunidade de participar de jogos adaptados, momentos culturais, de recreação e animação.

O objetivo foi sobretudo, de proporcionar um momento de confraternização com um grupo diversificado de crianças e fazer com que as com necessidades especiais se sentissem realmente integrados.

Inforpress

(artigo atualizado no dia 12 de setembro de 2022)

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