Médicos defendem especialização de jornalistas em matéria do combate ao cancro

Médicos especialistas reconheceram hoje a importância da comunicação social na difusão de informações relativas à prevenção e combate ao cancro, e defenderam a especialização dos jornalistas, para melhor abordagem das matérias ligadas à patologia.

Os médicos Sidónio Monteiro e José da Rosa fizeram estas declarações à imprensa, à margem da conversa aberta sobre “abordagem do cancro em Cabo Verde”, realizada, na Cidade da Praia, no âmbito do Dia Mundial da Luta contra o Cancro, que se assinala a 04 de Fevereiro, por um grupo de mulheres vencedoras da doença, em parceria com a Associação dos Jornalistas de Cabo Verde, AJOC, e o portal Balai Cabo Verde.

Sidónio Monteiro começou por dizer que as pessoas temem receber a informação de que foram diagnosticadas com cancro em qualquer parte do organismo, mas reafirmou que o facto de serem diagnosticadas com a doença não significa uma sentença de morte.

“Pelo contrário, significa o início de um tratamento e uma mudança de atitude para uma vida diferente, que até pode ser melhor se for encarada de forma positiva”, esclareceu, reiterando a importância de se ter o diagnóstico precoce de um cancro, porque a probabilidade de ser tratado é “maior”.

É neste sentido que o especialista apontou a “importância extraordinária” da comunicação social, sobretudo no que diz respeito à educação, à informação e à mudança de atitude, mas advertiu que as informações devem chegar de forma correcta ao público, visto que se tem deparado com muitas fake news, sobretudo nas redes sociais.

A jornalista da Rádio de Cabo Verde (RCV) Carmelita do Rosário falou na sua intervenção, que muitas vezes os jornalistas não têm acesso às fontes, sendo este um dos grandes problemas dos profissionais de comunicação social em Cabo Verde, o que dificulta o trabalho dos mesmos.

Instado como se pode trabalhar as instituições de Saúde, os hospitais, no sentido de facilitar aos jornalistas o acesso às informações, para que possam realizar o seu trabalho, Sidonio Monteiro respondeu nestes termos:

“Eu vejo esta questão em dois aspectos: primeiro, é o jornalista querer informação sobre o cancro, as formas de prevenção, segundo é quando se trata de casos concretos, em que muitas vezes há pedido de informação que visam o segredo profissional, a vida privada das pessoas, acho que é normal que haja alguma falta de informação”, sublinhou.

Outra questão, segundo o mesmo, tem que ver com os problemas e dificuldades por que passam os profissionais de saúde no local de trabalho que, a seu ver, os jornalistas devem ser parceiros destes no sentido de melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde.

“Muitas vezes, o médico ou qualquer outro profissional de saúde quer fazer determinadas coisas e não consegue porque não tem as melhores condições de trabalho. Aqui é preciso ver se são apenas por dificuldades do próprio país, inerentes à nossa condição de país não desenvolvido, mas outras podem ser derivadas de negligências ou de outras coisas, pelo que pensamos que devem ser feitas as denúncias necessárias”, defendeu.

Por sua vez, o médico José da Rosa sugeriu que a classe jornalística proponha realização de formações, especialização, mesmo que sejam por um período curto de tempo, sobre determinadas áreas, mormente as da saúde.

“Outra sugestão é que os jornalistas se dediquem por si próprios a determinadas áreas, não é preciso que haja uma formação específica, nós em Medicina nos dedicamos a várias áreas por nós mesmos. Hoje a internet nos dá imensas possibilidades de nos aprofundamos em diversas áreas”, propôs.

Por seu lado, a vice-presidente da AJOC, Gisela Coelho, destacou a importância desta conversa aberta sobre o cancro que, segundo a mesma, ainda é um tabu, sublinhando que há várias questões que os jornalistas, por serem generalistas e não serem especializados na matéria, não aprofundam.

“E se calhar nós precisamos estar um pouco mais por dentro destas questões”, sustentou Gisela Coelho, lamentando a fraca adesão dos profissionais da comunicação social na referida conversa aberta, afiançando, contudo, que “todos sairiam a ganhar”.

Inforpress

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