Número de toxicodependentes que procura ajuda nos centros aumenta na pandemia

A diretora interina da Comunidade Terapêutica Granja São Filipe (CTGSF), Zania Silva afirmou hoje, na Praia, que o número de utentes que procura tratamento por uso abusivo de drogas, nomeadamente álcool, aumentou com a pandemia da covid-19.

A diretora daquele centro de tratamento de uso abusivo de álcool e outras drogas falava à Inforpress, à margem do Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito, 26 de Junho, instituindo pela ONU para conscientizar a população global sobre essa temática, enfatizando a necessidade de combater os problemas sociais criados pelas drogas ilícitas, além de planear ações de combate à dependência química e o tráfico de drogas.

Zania Silva começou por relatar toda a fase de reinvenção e adaptação do centro com a chegada da pandemia da covid-19 que apanhou todos “desprevenidos”, obrigando a criação de estratégias e soluções para lidar com a “difícil conjuntura” por que ainda passam o País e mundo, e ao mesmo tempo criar capacidades para o desenvolvimento do trabalho no centro que é fazer internamento para tratamento do uso abusivo de álcool e outras drogas.

“Tudo isso seguindo diretrizes do Ministério da Saúde” disse a responsável, destacando a eficácia da equipa multidisciplinar da referida comunidade terapêutica que continua sendo referência em Cabo Verde.

“No início de pandemia, tivemos um aumento de procura de ajuda e temos estado a ter aumento, e não é só no nosso centro, os outros também, porque houve um aumento do consumo de drogas”, precisou a responsável, comentando que muitos tiveram dificuldades de lidar com o início da pandemia que trouxe crises, limitações, restrições , tendo procurado refúgio nas drogas, principalmente no álcool.

Assinalou, igualmente, que houve alguma reincidência, mas não muito, já que as estruturas de saúde têm grupos específicos que continuam a dar seguimento e suporte nos pós tratamento.

“Trabalhamos em conjunto com as estruturas de saúde que fazem o encaminhamento do pessoal e quando o utente termina o tratamento no centro ele é reconduzido à sua estrutura de saúde para continuar os pós tratamento, então é um processo continuo”, sustentou a diretora.

De entre os desafios, especificou o de incutir nos utentes e familiares a necessidade de respeitar e seguir as diretrizes do Ministério da Saúde para evitar contágio, tendo assegurado que continuaram a dar suporte via telefone, para além de contactos com os residentes por esta via. No entanto, prosseguiu, neste momento, foram autorizadas as visitas, mas, com escalas, evitando aglomerações no centro.

Atualmente, a Comunidade Terapêutica Granja São Filipe (CTGSF), segundo Zania Silva, tem capacidade para 40 pessoas, 30 do sexo masculino e 10 da do feminino,

Especificou que neste momento frequentam o espaço 32 homens e seis mulheres, mas, frisou, no entanto, que continua em articulação com as estruturas de saúde dando respostas a demanda e tem conseguido.

Isto porque, referiu a mesma fonte, inclusivamente com a pandemia da covid-19, o sector da saúde teve avanço, mormente aumento de técnicos, de capacitação, aumento de acesso a informações e de serviços.

“E ainda este ano será aberto novo centro em São Vicente, então acredito que temos avanços a cada dia, mesmo dentro da crise agravada com a guerra na Ucrânia”, anunciou Zania Silva.

Destacou ainda o trabalho desenvolvido pela Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas (CCAD) e outros parceiros ao longo dos anos, dando suporte às pessoas que precisam de auxílio.

A diretora refletiu, por fim, sobre o lema escolhido este ano pela ONU para assinalar o dia 26 de Junho- “Enfrentar os desafios da droga nas crises sanitárias e humanitárias”, que a seu ver é muito pertinente e serve para reforçar as ações e a cooperação, com objetivo de alcançar um mundo livre de uso e abusivo de droga e sensibilizar a sociedade para esta “grande luta” que é de todos.

Inforpress

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