Ocean Race: Da cachupa à chegada para os velejadores às lições sobre oceanos para as crianças

Os velejadores da regata Ocean Race vão ter à espera, no Mindelo, a tradicional cachupa como sinal de boas-vindas, após sete dias em mar largo e a alimentarem-se de comida liofilizada, aquela a que apenas se junta água quente.

A literatura sobre provas do género indica que a alimentação a bordo dos veleiros é um desafio, até porque para confecionar as refeições é preciso ferver a água, e no mar alto utilizar essa mesma água fervida torna-se extremamente difícil.

A comida é normalmente liofilizada e o simples ato de tirar a comida dos pratos e colocá-la na boca é difícil, devido aos movimentos do barco, daí não haver garfos a bordo, mas certamente os haverá, à chegada, ali mesmo no Porto Grande, para ajudar os velejadores a degustar a cachupa.

Será, pois, uma receção à cabo-verdiana, que para além do prato tradicional das ilhas, terá música, dança e performance de Carnaval, para velejadores que, para trás, deixaram 1.900 milhas náuticas (3.520 quilómetros) de Alicante (Espanha) ao Porto Grande do Mindelo, numa competição que exige grande preparação física e psicológica para enfrentar as adversidades.

Os primeiros veleiros da Ocean Race, já se sabe, deverão chegar à baía do Porto Grande, no Mindelo, entre as 22:00 de sexta-feira, 20, e as 16:00 de sábado, 21, e permanecerão em São Vicente até o dia 25, dia previsto para a largada rumo à Cidade do Cabo, na África do Sul.

Entre os 7.000 visitantes que a organização estima acolher no Ocean Village, no parque de contentores de frio da Enapor, no Porto Grande, há que juntar pelo menos 1.100 crianças, dos 6 aos 12 anos, a quem é destinado o programa “Learning” (aprendizado).

É que, segundo a representante do Programa Aprendizado, Iara Rodrigues, desporto e educação “andam de mãos dadas” e o Ocean Race tem isso em conta, ou seja, quer levar os conceitos relacionados com o oceano para a comunidade em geral, principalmente para os mais pequenos.

A também diretora do Serviço de Investigação, Extensão e Edição da Universidade Técnica do Atlântico (UTA) lembrou que a própria organização Ocean Race tem um conjunto de programas educacionais direcionados para crianças e que abordam aspetos de diferentes dimensões da importância dos oceanos, desde poluição marinha, apontando para a poluição relacionada com o plástico, e também relacionado com a biodiversidade, a perda do número de espécies nos oceanos e questões afins.

Ademais, ajuntou Iara Rodrigues, os recursos do programa aprendizado da Ocean Race correspondem a uma “extensa documentação” de atividades relacionadas com o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), principalmente os relacionados com os ODS número 4, relacionado com a idade da educação, os 11 e 13, com a mudança climática e interconexão com as cidades, e o número 14, com a vida debaixo da água.

Especificamente para os alunos de escolas do ensino básico e secundárias da ilha de São Vicente, “e provavelmente de Santo Antão”, está reservado um workshop referente ao programa de aprendizado que especificamente vai se abordar o tema “Os direitos dos oceanos”.

O mesmo programa contempla ainda uma feira de ciência, liderada pela UTA, com ajuda de instituições de pesquisa de São Vicente, o IMAR e o Centro Oceanográfico do Mindelo, em sistema de carrossel, permitindo às crianças participar em todas as atividades.

Com um ano de atraso devido à pandemia da covid-19, a edição 2023 do Ocean Race, disputada de quatro em quatro anos desde 1973, principiou no passado domingo, 15, em Alicante (Espanha), e termina no dia 01 de Julho, em Génova (Itália).

Contando com Mindelo, em que se aguarda a chegado do primeiro veleiro às 22:00 de sexta-feira, 20, a regata terá sete etapas e 32 mil milhas náuticas (60 mil quilómetros), que atravessam quatro oceanos, quatro continentes e passam por nove cidades.

Na terceira etapa, os velejadores vão fazer uma travessia recorde de 12.750 milhas náuticas (24 mil quilómetros), com a duração de um mês, entre a Cidade do Cabo (África do Sul) e Itajaí (Brasil), através dos mares do Pacífico Sul, e com passagem pelo Cabo da Boa Esperança e Cabo Horn, conhecido como o ‘fim do mundo’.

A prova é disputada pelos veleiros das categorias IMOCA 60 (18,3 metros) e VO65 (20 metros), sendo que os primeiros têm uma tripulação de cinco elementos, em barcos considerados “extremamente bem preparados e bastante rápidos”.

As embarcações da categoria VO65, por seu lado, são todas iguais, estiveram presentes nas duas últimas edições da prova, e têm sete tripulantes cada.

Segundo apurou a Inforpress, o percurso mais longo será feito apenas pelos superveleiros IMOCA 60, concebidos especialmente para grandes travessias no oceano, e os veleiros da classe VO65 vão fazer apenas a primeira etapa Alicante-Mindelo e as duas últimas regatas: Aarhus-Haia e Haia-Genóva.

Todos os barcos que participam nesta volta ao mundo levam equipamento para recolher dados para investigação sobre o estado dos oceanos.

Inforpress

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