Porto Novo: Colisão entre navios de pesca deveu-se à “não observância do estabelecimento dos faróis de navegação”

A colisão que se verificou em Fevereiro entre as embarcações de pesca Djesone e Ponta de Peça, no canal de São Vicente, resultando numa vítima mortal, deveu-se à “não observância do estabelecimento dos faróis de navegação”.

O relatório da investigação, pelo Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos e Marítimos (IPIAAM), publicado hoje, revela que “no momento do acidente, nenhuma das embarcações tinha os faróis de navegação estabelecidos, estando apenas sinalizadas com uma pequena luz vermelha no mastro, visível a curta distância”.

Por isso, refere o relatório, “a não observância do estabelecimento dos faróis de navegação”, previsto no Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar, “fator contributivo” para a ocorrência do acidente, que matou um jovem de 33 anos, tripulante da embarcação Djesone.

Os investigadores concluíram que o acidente, que aconteceu por volta de meia noite do dia 07 de Fevereiro, na área do farol de São Pedro, “poderia ter sido evitado se os mestres das duas embarcações, com recurso ao radar e vigias, monitorassem a navegação nas proximidades e, especificamente, a distância relativa entre si”.

Uma outra conclusão a que se chegou foi a de que “as manobras executadas, por parte das duas embarcações, foram com total foco na perseguição do cardume e sua captura, renegando para segundo plano a segurança da navegação”.

O relatório, a que a Inforpress teve acesso, descreve que durante a faina de pesca, no canal de São Vicente, mais precisamente nas proximidades do farol de São Pedro, as duas embarcações colidiram entre si, resultando na perda de uma vida humana e em “consideráveis danos materiais”.

“Chegadas a essa área, esperaram pelo ocaso da lua (por volta das 23:41) e depois iniciaram a faina de pesca. Cada uma identificou um cardume e começaram ambas a manobrar por forma a cercar o respetivo cardume e lançar a rede, tendo para tal navegado a várias proas e regimes de máquinas. Dessas manobras resultou a aproximação excessiva entre as duas embarcações e a consequente colisão”, explicou a mesma fonte.

A bordo da embarcação Ponta de Peça, do Tarrafal de Monte Trigo, estavam 18 pessoas, enquanto no navio Djesone, da cidade do Porto Novo, estavam 17 tripulantes.

Conforme os factos apurados, a colisão ocorreu por volta das 24:00 do dia 07 de Fevereiro, numa posição próxima da posição GPS de latitude: 16º52’53’’N e longitude: 025º03’31’’W, a aproximadamente 1,159 milhas náuticas do farol de São Pedro.

“Nos momentos que antecederam a colisão, mais precisamente depois de Djesone suspender ferro, as duas embarcações efetuaram várias manobras, navegando a várias proas, por forma a seguir os respetivos cardumes”, explica ainda documento.

A coordenar as manobras, posicionados nos mastros das respetivas embarcações, estavam os mestres de pesca, que são “pescadores experientes, mas sem qualquer tipo de formação em navegação”.

“No momento, nenhuma das embarcações tinha os faróis de navegação estabelecidos, tendo cada apenas uma pequena luz vermelha no topo do mastro, visível a curta distância, pelo que não seria possível por parte de uma embarcação percecionar, facilmente, a manobra da outra”, avançou o IPIAAM

Em conclusão, o relatório das investigações apontou que “de entre os fatores mais importantes estão o não estabelecimento dos faróis de navegação, o comando da manobra por parte de um tripulante sem nenhum tipo de formação em navegação e o não acompanhamento da situação da navegação por parte do mestre da embarcação, com recurso aos panoramas radar e visual”.

Os investigadores esclarecem que a segurança da embarcação e dos seus tripulantes é da responsabilidade do mestre, mesmo que, por motivos de conhecimentos específicos de pesca, a execução da manobra seja delegada no mestre de pesca (pescador).

O IPIAAM considera “premente a formação e sensibilização dos mestres das embarcações de pesca e os pescadores para a segurança no mar, tanto da navegação como do trabalho, em geral”.

Inforpress

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