Praia: Jovens licenciados apostam em projeto que visa capacitar estudantes finalistas

Sob o lema “Prepara-te para o teu melhor”, quatro jovens profissionais cabo-verdianos residentes na cidade da Praia resolveram juntar-se e promover um projeto intitulado Futura que visa capacitar estudantes cabo-verdianos, mais concretamente, os finalistas, quer do ensino secundário, quer das universidades, para que estejam melhor preparados para o mercado de trabalho e não só.

Arranca hoje, dia 11, a segunda edição do projeto Futura cuja primeira ação de capacitação e formação vai abranger 110 jovens, de 10 escolas da cidade da Praia. O projeto que é uma iniciativa de quatro jovens profissionais cabo-verdianos é destinado a membros das associações de estudantes e de finalistas, tanto dos liceus como das instituições de ensino superior.

Tendo como formadores Daniel Medina, Nuno Melício, Júlia Ferreira e Samir Pereira, as sessões de formação têm lugar na Universidade Jean Piaget, no período da tarde até o dia 28 de outubro e abrangem áreas como Gestão de Eventos, Gestão de Prioridades, Arte de Negociação, Educação Financeira, Técnicas de Comunicação, Gestão de Emoção, Liderança, Elaboração de um Curriculum Vitae, entre outros.

O evento que conta com o apoio institucional da Direção Nacional de Educação (DNE), é de acesso gratuito para os estudantes finalistas e pretende dar aos jovens ferramentas e conhecimentos técnicos que lhes serão úteis no “processo de desenvolvimento, produção, apresentação e implementação de ideias”.

Já numa segunda fase, em novembro, os workshops destinam-se exclusivamente aos universitários e vão abranger cerca de 100 alunos, de sete instituições de ensino também da capital.

A ideia do projeto Futura começou por ser idealizada por Nestor Andrade, 30 anos, formado em Marketing e Comunicação na Índia. O jovem conta que antes de sair do país para fazer a licenciatura trabalhava com uma empresa de telecomunicações onde fazia a ponte com as associações de estudantes, dos liceus e das universidades, na cidade da Praia. Nessa altura, constatou na prática a necessidade de capacitar os jovens pois notou que havia alguma falta de conhecimentos técnicos bem como a necessidade de empoderamento dos jovens principalmente dos bairros mais periféricos.

Um ano após o seu regresso ao país, em 2019, apesar de alguns contratempos, Nestor conseguiu levar a cabo a primeira edição do projeto Futura ao lado do colega do secundário Wilson Pereira, de 27 anos, que é formado em Informática de Gestão.

A edição piloto do programa aconteceu na Biblioteca Nacional, na capital, e contou com 45 alunos, de cinco liceus da capital.

Este ano, para a segunda edição do projeto, juntaram-se ao Futura Elcibete Carvalhal, de 27 anos, formada em Marketing e Gestão, e a engenheira Aeronáutica Jessica Querido, também de 27 anos.

“Acredito que este projeto pode ser muito benéfico para os estudantes que ainda não sabem como fazer, por exemplo, um currículo. São coisas simples que podemos fazer e que podem trazer uma mais-valia para cada um dos jovens presentes que depois podem passar essa informação a outros colegas”, explica Elcibete.

A mesma opinião é partilhada por Wilson Pereira que salienta que os participantes dos workshops têm que depois transmitir o que aprenderam nos respetivos estabelecimentos de ensino.

A ambição dos promotores é levar o projeto Futura para outras ilhas e torna-lo nacional e, segundo Wilson, contribuir para que os jovens cabo-verdianos “tenham uma nova mentalidade e sejam líderes nas suas comunidades”.

Crítico da forma como é feita a orientação vocacional atualmente, Nestor Andrade salienta que é preciso não apenas criticar, mas também apresentar soluções e alternativas para os problemas e é neste sentido que este grupo de jovens resolveu ser pró-ativo.

Questionado sobre a formalização do projeto, o mentor explica que o grupo tem planos de criar uma ONG que englobe não só o projeto Futura como o Akritude (destinado à orientação vocacional de jovens do secundário), mas que para já “a ideia é provar que o projeto é viável para depois formalizar”.

Outro aspecto que o projeto Futura visa igualmente incutir nos jovens é a necessidade de procurar meios para uma formação contínua, segundo explica o mentor Nestor Andrade.

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