Praias de São Vicente com mais quantidade de macro-plásticos, diz estudo

As praias de São Pedro e Praia Grande, em São Vicente, têm mais quantidade de lixos macro-plásticos, contudo já existe preocupação com os micro-plásticos, que começam a acumular, conforme resultados preliminares do estudo COLLECT.

Os resultados, ainda preliminares, foram apresentados hoje, no Mindelo, por biólogos marinhos do Instituto do Mar (IMar), que participaram do estudo Observação Cidadã dos Detritos em Ecossistemas Costeiros (COLLECT, sigla em inglês), projeto internacional que trabalha com escolas em seis países africanos para fazer levantamento da poluição de plásticos nas suas praias.

No caso de Cabo Verde, o projeto teve a participação de 30 alunos das escolas secundárias Liceu Ludgero Lima e Escola Salesiana, que fizeram a recolha de lixo plástico na Praia Grande e praia de São Pedro.

Dois locais, onde, segundo o biólogo marinho Péricles Silva avançou à imprensa, encontrou-se, claramente, mais macro-plásticos, plásticos com mais de 25 milímetros, embora haja a tendência de se aumentar as partículas micro, que só são vistas em laboratório.

“O ideal seria pouco a pouco buscar alternativas às embalagens, de que dependemos muito para conservar os alimentos, mas isso é um trabalho que vai levar tempo”, sublinhou a mesma fonte.

Para a realização do estudo, ajuntou, utilizou uma metodologia científica, com um traçado com 50 metros e a cada dois metros fez-se um círculo com diâmetro de dois metros para recolha do macro-plástico e depois para o micro-plástico fez um círculo de dez centímetros quadrados e cinco de profundidade, para recolha da areia, que depois é peneirado e analisado em laboratório.

Um método utilizado, segundo a mesma fonte, tanto na Praia Grande, como na de São Pedro, que foram escolhidas devido à localização geográfica e as correntes que recebem, sendo que as recolhas foram feitas na época das chuvas, no mês de Outubro do ano passado, e na época seca, no mês de Março deste ano.

Conforme os resultados, na Praia Grande encontrou-se mais lixo decorrente da actividade pesqueira, e em São Pedro o lixo principal é o doméstico, que, di-lo Péricles, neste último não foi encontrado em grandes quantidades e que devido ao vento forte habitual nesta costa balnear, há possibilidade de ter ido parar ao mar.

“Queremos mostrar às pessoas que nas nossas praias vemos na areia o lixo que estamos habituados, mas não temos a noção de que vai degradando e penetrando no meio ambiente marinho”, alertou a mesma fonte, com a satisfação que os alunos, com a noção do que se está a passar, podem consciencializar os pais e a sociedade em geral.

Por outro lado, a ideia, ajuntou, é fazer uma publicação científica dos dados, que já estão a ser apresentados em várias conferências internacionais pela coordenadora geral do projeto Ana Catarino, que reside na Bélgica, e que participou da apresentação, no Mindelo, via plataforma Zoom.

Péricles Silva disse ter ficado contente com o entusiasmo dos alunos, que, também presentes na apresentação, confirmaram o “prazer” de ter participado no projeto que mostra a quantidade de lixo neste momento a afetar as praias de São Vicente e a contaminar os micro-organismos e o próprio ser humano através da cadeia alimentar.

No projeto COLLECT trabalhou-se em conjunto com alunos de dez escolas no Gana, Nigéria, Benim, Costa do Marfim, Cabo Verde e Marrocos, para sensibilizar para a poluição de plásticos.

O estudo conta ainda com outros parceiros internacionais, entre os quais, de países como Portugal, Bélgica e Japão.

Inforpress

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