Presidente da Associação das Mulheres com Deficiência considera o 8º aniversário como “grande vitória” à luta pela inclusão

A presidente da Associação Cabo-verdiana de Promoção e Inclusão das Mulheres com Deficiência (APIMUD), Eurídice Andrade, considerou, esta quarta-feira, 18, uma “grande vitória” a celebração do oitavo aniversário da organização na luta pela causa das mulheres com deficiência no país.

A presidente fez esta consideração à Inforpress, à margem da sessão solene alusiva à comemoração do oitavo aniversário da organização, na sede da Associação dos deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC), na cidade da Praia.

“Consideramos uma vitória porque antes não existia uma associação que lutava pela causa das mulheres com deficiência, e hoje, essas mulheres são faladas e conhecidas porque têm uma associação que as representa”, justificou, relatando que foi com a criação da APIMUD, em 18 de janeiro de 2022, que passaram a ser reconhecidas as dificuldades, mas também os valores, das mulheres com deficiência na sociedade cabo-verdiana.

Realçou que devido a crises mundiais, como a pandemia da Covid19, a guerra na Ucrânia e os efeitos da seca no país, resultaram em perdas de parcerias e de doações como cestas básicas aos membros da associação, mas que a luta continua neste ano que agora se inicia.

Aponta as formações de costura e corte e o projeto “prémio garantia” como os ganhos do ano de 2022, mas sublinha que persistem os desafios em conseguir cestas básicas para ajudar na alimentação dessas chefes de família.

“Em relação a cestas básicas, algumas dessas mulheres passam dificuldades em casa com a alimentação, porque sobrevivem apenas com o pouco que recebem da pensão social”, descreveu a responsável, informando que no final do ano passado a Igreja Universal atribuiu cerca de 50 cestas básicas às famílias para suprir a falta de alimentos, mas que “não ajuda por todo tempo”.

A presidente da associação alertou também para os impactos da subida de preço dos produtos na vida dessas mulheres, com ênfase no aumento do preço da farinha de trigo que passa a ser comercializada por 4.600 escudos o saco.

Apesar disso, quanto aos projetos que visam empoderar essas mulheres, informou que as formações de costura e de corte, com uma duração de três meses, continuam a decorrer e que finalizam no início do mês de Fevereiro.

Em relação aos projetos para o ano de 2023, referiu o “prémio garantia”, um projeto que pretende leccionar a informática na ótica do utilizador, com uma duração também de três meses.

“Queremos fazer chegar esta formação aos 242 membros da associação e a previsão é continuar para além dos três meses e ajudar os deficientes que ficam sempre em casa”, assegurou.

Por seu lado, Verónica Furtado, da cidade de Assomada, e Cecília dos Santos, residente em São Lourenço dos Órgãos, membros da associação há vários anos, congratulam-se com o oitavo aniversário da associação, e dizem que têm participado em todas as atividades desenvolvidas pelo mesmo.

Destacaram a importância desta comemoração para as mulheres com deficiência, apesar das dificuldades no acesso às parcerias e apelaram ao governo a apoiar as mulheres com deficiência no acesso à formação profissional, ao mercado de trabalho, e às empresas para “abrirem as portas” para estágios profissionais.

Inforpress

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