Rainha congolesa defende que estudantes precisam de informações corretas da experiência africana para construção do futuro

A rainha congolesa do Reino de Kasai defendeu hoje que os estudantes universitários precisam de informações corretas da experiência africana nas diferentes áreas do saber para ajudarem na construção do futuro do continente.

Diambi Kabatusuila, que se encontra de visita a Cabo Verde desde o dia 19 deste mês, fez esta declaração após uma visita à Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) para ministrar uma conversa aberta com os académicos.

Na ocasião, considerou o contacto com a instituição “importante”, uma vez que, na sua perspetiva, faz parte de uma instituição que trabalha para ajudar no futuro do continente.

“Os estudantes necessitam ter informações corretas da experiência africana de tudo o que estão a estudar aqui, que são bons para o futuro do país, para construção do país”, afirmou, justificando que construir um país não é somente ter conhecimento de disciplinas como a Matemática, a Física, a Medicina ou Agricultura.

Mas também, argumentou, é preciso ter uma visão, tendo considerado que o futuro é importante e os estudantes estão num espaço de equilíbrio para haver uma visão correta do que se quer. E para isto, prosseguiu, “é necessário saber primeiramente de onde viemos”.

“Na situação que estamos agora, há coisas que são positivas e há outras que são negativas, pelo que para solucionar os problemas que temos coletivamente enquanto africanos, devemos saber onde pode estar a solução para seguir adiante”, disse.

Porque a seu ver, quando se sente bem aqui dentro haverá mais confiança na procura de soluções para os problemas, não ficando à espera que venha os de fora para solucionar os problemas da África.
Para a rainha, a solução deve estar adaptada à cultura e à identidade.

Por seu lado, o reitor da Uni-CV, Arlindo Barreto, afirmou que a visita da rainha à universidade é importante para a comunidade académica por aquilo que ela representa não só na África, mas no mundo, pela partilha da ideia de multiculturalidade.

“A ideia da inteligência crítica, saber de onde viemos, para onde vamos, como é que nós conseguimos lidar com as nossas origens e, sobretudo, valorizar aquilo que nós temos. Ela representa tudo isso, essa ligação e, por isso, essa conversa aberta que nós temos aqui com os estudantes vai servir para relançar essa motivação que nós estamos a querer passar aqui na academia”, precisou.

Diambi Kabatusuila foi coroada como a rainha tradicional do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu da região central de Kasaï, parte do antigo Império Luba na República Democrática do Congo a 31 de Agosto de 2016, tendo sido entronizada por todos os chefes Bakwa Luntu em 15 de Julho 2017.

Um dos seus principais projectos é buscar alianças para mudar a narrativa sobre o povo africano, trabalhando na promoção da restauração da identidade africana.

Inforpress

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