Santo Antão: Familiares de Cândido Marçal revoltados com decisão do Tribunal da Relação do Barlavento

Os familiares de Cândido Marçal, conhecido como Bomba, assassinado em Agosto do ano passado na cidade da Ponta do Sol, estão “revoltados” com a decisão do TRB que anulou e reduziu a pena dos dois arguidos do assassinato.

Em declarações à Inforpress, o irmão da vítima Anilton Marçal caracterizou o acórdão proferido pelo TRB de um “autêntico absurdo”.

“A única certeza que temos agora é que a justiça nesse País não funciona, e cada dia está de mal a pior. Cabo Verde está a tornar um lugar inseguro porque quando colocam criminosos em liberdade estão a incentivá-los a cometer crimes cada vez mais bárbaros” sublinhou.

Anilton Marçal prossegui afirmando que “não confia” mais na justiça do País, e que quando viu a notícia na Inforpress ficou incrédulo.

“Contactei de imediato os meus pais que também ficaram revoltados e com lágrimas nos olhos quando souberam que um dos criminosos tinha sido posto em liberdade e que o outro foi-lhe reduzida a pena pela metade” salientou.

Entretanto, a mesma fonte avançou que sua família está reunida para ver o que podem fazer ainda para “reverter” a decisão do TRB.

Na passada sexta-feira, 13, o Tribunal da Relação do Barlavento (TRB) absolveu um dos dois arguidos do assassinato do jovem Cândido Marçal, 30 anos, conhecido como Bomba.

O caso remonta a Agosto do ano passado na sequência de uma rixa num bar, na Ponta do Sol, após uma troca de palavras e de empurrões.

Em declarações à Inforpress, uma fonte ligada ao tribunal explicou Yuren Fonseca, conhecido como Marak, de 26 anos, a quem foi aplicada a pena de 24 anos de prisão, a mesma foi anulada, pois, de acordo com o acórdão proferido pelo Tribunal da Relação do Barlavento, Mark “não agiu em coautoria” com Nhau, ou seja, segundo o documento foram dois factos isolados e que não teve culpa no ato.

Emerson Martins, conhecido como Nhau, 25 anos, por seu lado, que fora condenado a pena de 20 anos de cadeia, a mesma foi reduzida para 12 anos por o TRB entender que o mesmo não praticou o crime de homicídio agravado, mas sim homicídio simples.

A leitura da sentença de Nhau e Marak, no tribunal da Comarca da Ribeira Grande, ficou conhecida há seis meses.

Os dois condenados, para além das penas teriam que pagar uma indemnização de 1.500 contos, cada, à filha da vítima, que é menor de idade.

O caso aconteceu no dia 11 de Agosto do ano passado num bar da cidade da Ponta do Sol, após uma troca de palavras e de empurrões, a vítima, Bomba, segundo testemunhas, teria optado por evitar a briga, mas Marak e Nhau “queriam brigar a todo o custo”.

Quando decidiu sair à rua, conforme relato de testemunhas, Bomba foi agredido com um soco e logo em seguida com o golpe de balaústre na cabeça. Cândido Marçal, Bomba tinha 30 anos e deixou uma filha menor.

Inforpress

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