São Vicente: Delegado de Saúde quer ilha “sem portador de doença mental a deambular” pelas ruas 

O delegado de Saúde de São Vicente, Elísio Silva, enalteceu hoje o “trabalho louvável” das autoridades nos cuidados à doença mental e assegurou que o objectivo é “não ter nenhum portador a deambular” pelas ruas.

O responsável máximo da saúde na ilha de São Vicente teceu o elogio na abertura do I Fórum de Saúde Mental, que arrancou hoje, no Mindelo, e decorre até domingo, 03.

Ao fazer uma retrospectiva, Elísio Silva mostrou que antes os cuidados de saúde mental na ilha se restringiam ao Hospital Baptista de Sousa, mas, actualmente, há uma equipa multidisciplinar nos centros de saúde para realizar o atendimento dos pacientes “praticamente nas suas casas”.

“É um trabalho louvável, que temos organizado aqui em São Vicente e que temos dado provas de melhoria no seguimento dos pacientes”, considerou a mesma fonte, para quem devido à essa estratégia “já não se vê um grupo de pessoas com problemas mentais a deambular”, embora ainda que haja “uma outra pessoa” nas ruas de São Vicente.

Entretanto, assegurou, está-se a “fazer de tudo” para que não haja “nenhuma pessoa com problema mental a deambular” pelas ruas da cidade.

Elísio Silva regozijou-se ainda com o trabalho da autarquia local no Centro de Acolhimento de Doentes Mentais, na zona de Vila Nova, que, como disse, recebe “com todas as condições de um ser humano” as pessoas que antes estavam nas ruas.

“É um grande trabalho, porque é através desse grupo de Vila Nova e do centro cedido pela câmara municipal, que se pode dizer que há uma diminuição enorme em relação ao número de pessoas sem cuidado de saúde, especialmente quando não tem um familiar para orientar”, concretizou.

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, que presidiu ao evento, que tem por lema “Saúde mental, responsabilidade de todos”, reiterou também o trabalho do centro de Vila Nova, que no início acolhia 12 pacientes, mas, hoje já atingiu os 40.

E, ao enumerar outros projectos sociais realizados pela autarquia, indicou que a câmara tem trabalhado há muitos anos, no sentido de manter e melhorar a saúde mental das famílias e das pessoas e manter o ambiente social nas melhores condições.

Por sua vez, a coordenadora do fórum, a psicóloga Denise Lima, disse que o objectivo deste primeiro evento é criar um espaço de debate em que a saúde mental seja abordada numa perspectiva multidisciplinar “com enfoque na defesa dos direitos humanos”.

“Queremos melhorar a qualidade dos serviços de saúde mental na nossa ilha, como um dos principais objectivos”, afiançou Denise Lima, com a esperança de que no final da jornada possa haver “grandes contributos” para atingir os tais pressupostos.

O fórum, que decorre entre hoje e sábado no Centro Cultural do Mindelo,  está dividido em vários painéis, entre eles,  determinantes sociais em saúde mental, organização dos serviços de saúde mental em São Vicente, saúde mental, justiça e direitos humanos e o sistema de educação, para além do tema livre saúde mental dos adolescentes no mundo actual.

Para além do debate em sala fechada, o evento culmina no domingo, 03, com uma caminhada pelas ruas e avenidas da cidade do Mindelo, visando demonstrar a importância do exercício físico na saúde mental,  actividade que será realizada em parceria com a Associação Regional de Atletismo de São Vicente, utentes dos serviços e parceiros.

Inforpress

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