São Vicente: Professor diz-se “descontente” com Ministério da Educação que tem “desrespeitado” todos os seus direitos

O professor do Ensino Básico Hotaniel Monteiro assegurou estar “descontente” e “desanimado” com o Ministério da Educação que não tem respeitado os seus direitos de progressão na carreira e subsídios pela não redução da carga horária.

Segundo a mesma fonte, em entrevista hoje à Inforpress e TCV, decidiu procurar a comunicação social para expressar o seu “desagrado e descontentamento” com o Ministério da Educação, no qual é funcionário, professor do Ensino Básico, desde 10 de Outubro de 2000.

Mesmo com cerca de 24 anos de serviço, asseverou, até agora não conseguiu o enquadramento necessário e ainda recebe um salário de cerca de 21 mil escudos líquidos.

“Quero exigir mais respeito, valorização do trabalho feito em prol de uma educação de qualidade no País e que os meus direitos consagrados na lei sejam levados em linha de conta”, considerou Hotaniel Monteiro, adiantando que já fez inúmeras reclamações, mas até agora não recebeu uma resposta concreta.

A “gota de água”, afiançou, foi a ausência do seu nome numa lista de transição dos professores 1/A para categoria de monitor Especial, publicada no Boletim Oficial (BO) a 21 de Fevereiro último.

Conforme a mesma fonte, os requisitos apontados para estar nesta lista era ter primeira Fase da formação em exercício ou 10º Ano de escolaridade concluída, e no seu caso tem 12º escolaridade, mas, não concluiu a formação iniciada à distância em 2009, por razões de saúde, que o levaram à uma paralisia nas pernas, quando ainda lecionava em Santo Antão, ilha de onde é natural.

“No entanto, sei que foi inserido nesta lista publicada colegas com mesmo requisito que eu, ou seja, que não tem formação nenhuma”, denunciou, adiantando que fez reclamação também sobre isso através da Delegação da Educação em São Vicente, onde está a trabalhar há cinco anos, mas também não recebeu nenhuma resposta concreta.

O professor acrescentou que as “injustiças” que tem sofrido não são somente derivadas da recente lista publicada, mas desde 2016, quando deveria começar a receber os subsídios pela não redução da carga horária e dos quais ainda não viu qualquer tostão.

“De referir que só á mim subtraíram cerca de 1 milhão e 100 mil escudos cabo-verdianos, desde 2016, como manda os comprovativos das certidões de tempo de serviço pedido e com resposta favorável do Ministério das Finanças”, explicou Hotaniel Monteiro, para quem o acto é um “roubo claro” e “ninguém faz nada”.

Mesmo assim, asseverou, seguiu lutando e decidiu mudar-se para São Vicente onde prossegue os tratamentos de saúde e está a terminar a sua formação em História e Geografia.

“Isto é para mostrar que nunca parei no tempo, mas sim estou focado em ajudar a educação lá onde for necessário”, lançou.

Mas, assegurou, neste momento está num ponto de saturação com a “situação desmotivante, frustrante para um professor que labuta diariamente com responsabilidade e compromisso com a educação no País com provas dadas e não ser recompensado como tal”.

Tanto assim é, que ameaça abandonar o serviço em São Vicente, pelo perigo de não conseguir atender às suas responsabilidades como renda de casa, energia, alimentação, vestuário, comunicação e transporte, e regressar à sua localidade de Lagoa do Planalto Leste, em Santo Antão.

Hotaniel Monteiro asseverou que o “mais triste” é que com essa situação, ganhando um vencimento de pouco mais de 20 mil escudos, não tem conseguido apoiar os filhos que estão a estudar, dois deles no ensino superior no estrangeiro e que não conseguiram bolsas de estudo por ele ser professor.

Entretanto, segundo fontes da Inforpress no Ministério da Educação, brevemente deverá ser publicada uma lista adenda, na qual vai ser colocada outros nomes para transição de professores 1/A para categoria de monitor Especial, cuja base mensal é de 37.597 escudos, e que, possivelmente, o nome do professor visado poderá constar.

Inforpress

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