“Stand-Up Comedy” conquista espaço em Cabo Verde e na diáspora

Com 42 humoristas cabo-verdianos a praticarem “Stand-Up Comedy”, a modalidade teatral vem conquistando o seu espaço no País e na diáspora, disseram hoje os humoristas Enrique Alhinho e Jailson Miranda que recordam um “início complicado”.

Em declarações à Inforpress, os comediantes narram as dificuldades enfrentadas para tentarem incutir nos cabo-verdianos uma cultura “diferente” – a modalidade de humor designada “Stand-Up Comedy” – um espectáculo de humor em que o humorista se apresenta geralmente de pé.

Considerado o pioneiro da modalidade em Cabo Verde, o humorista Enrique Alhinho conta que, na infância, era o mais “engraçado” da sua casa, um distintivo comum de todos os humoristas.

No entanto, prosseguiu, o interesse pelo “Stand-Up Comedy” surgiu quando realizava seu trabalho final de curso em Portugal, num momento de stress clicou, não sabe como, num show de um humorista americano, que “adorou”, e na mesma hora falou ao seu colega de quarto que um dia iria fazer o mesmo.

Anos depois, começou a realizar a modalidade, tendo apontado que no mês de Novembro deste ano completa nove anos nesta prática que teve início na Cidade da Praia.

“A ilha de Santiago, não é uma ilha que tem a tradição das artes cénicas em comparação com a ilha de São Vicente, então no início deparei com muitas dificuldades porque ainda ninguém fazia “Stand-Up Comedy” e os santiaguenses não tinham esta tradição de ir ver teatro, então tivemos que criar o nosso próprio mercado”, acrescentou Enrique Alhinho.

Porém, o comediante avançou que a vertente teatral tem vindo a ganhar o seu espaço em Cabo Verde, mormente na Cidade da Praia. Com a pandemia da covid-19 tiveram de fazer uma pausa nos shows devido às restrições impostas para fazer face a doença, mas já retomaram as atividades e a adesão tem estado a aumentar.

Entretanto, o maior desafio, referiu o humorista, continua sendo a massificação do público, pelo que viver diretamente de receitas do “Stand-Up Comedy” em Cabo Verde ainda é “um pouco difícil”, contudo, indiretamente, assinalou Alhinho, o espetáculo de humor tem aberto outras portas, nomeadamente publicidades, mas é também uma vertente com um longo percurso a ser percorrido.

“Penso que daqui a alguns anos a vertente irá consolidar-se e muitos humoristas poderão viver com esta arte a tempo inteiro porque vai ter um público fidelizado para assistir. Hoje em dia são 42 humoristas cabo-verdianos que fazem “Stand-Up Comedy” com alguma frequência em Cabo Verde e na diáspora”, salientou o comediante.

O humor, por vezes, é visto como ofensa, mas não passa de uma simples forma engraçada de lidar com situações e problemas do quotidiano e é isto que as pessoas têm de entender, disse, por sua vez, o humorista Jailson Miranda que conta que desde criança teve esse sentido de humor.

Em 2015 residindo na Cidade da Praia, foi-lhe sugerido procurar Enrique Alhinho que na altura já fazia shows, para avaliar a possibilidade de fazer também.

Recordou o seu percurso “difícil”, encetado nos bares e restaurantes que, conforme afirmou, não são lugares mais apropriados para o “Stand-Up Comedy”, mas, lançando um olhar lá atrás, notou que deram “grandes passos” e atualmente a adesão vem aumentando.

“A geração que entrar agora no mundo do “Stand-Up Comedy” vai encontrar algum público consolidado, porque as pessoas já conhecem esse mundo melhor hoje”, referiu Jailson Miranda.

O humorista apontou, em contrapartida, que os desafios têm sido a divulgação do “Stand-Up Comedy”, defendendo a necessidade de se continuar a promover a modalidade para que chegue a mais pessoas, uma vez que, posicionou, “Stand-Up Comedy” não é uma cultura cabo-verdiana é algo que se está a sugerir às pessoas.

“O que eu peço às pessoas é que adiram aos shows e continuem a apoiar porque há todo um trabalho por trás”, citou o comediante.

Jailson Miranda ressaltou ainda que o humor tem gerado novas oportunidades, hoje em dia, além de fazer publicidades apresenta programas radiofónicos, pelo que, sublinhou, é necessário continuar a “lutar e não se limitar ao pequeno mercado cabo-verdiano”.

Inforpress

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