Teatro está a conquistar “e bem” o seu espaço na Praia, garante diretor artístico da “Fladu Fla”

O diretor artístico da Companhia Fladu Fla, Sabino Baessa, afirmou hoje que o teatro, antes visto na Praia como uma brincadeira, passou a ser observado com um outro olhar e “está a conquistar e bem” o seu espaço.

Sabino Baessa falava em entrevista à Inforpress, no âmbito do programa comemorativo dos 20 anos da Companhia de Teatro Fladu Fla, que se assinala a 14 deste mês, tendo adiantado que neste momento o grupo tem envolvido oralizações no teatro de modo que passou a dividir “o bolo” com a música, assim como com a literatura.

“Nestes 20 anos, estou consciente que o teatro na cidade da Praia está a ser vista com outro olhar, porque antes era vista como brincadeira, mas já começamos a envolver oralizações que investem na produção da arte. Digamos que estamos a dividir o bolo com a música, literatura, então significa que o teatro está a conquistar e bem o seu espaço”, sustentou.

Segundo revelou, antes, quando montavam um espetáculo tinham receio em lotar o espaço, o que agora não acontece, conforme Sabino Baessa, para quem actualmente, basta anunciarem um espetáculo que aparece logo o público a procurar pelo acesso.

“É claro que precisamos massificar ainda mais, porque queremos montar um espetáculo na Assembleia, que leva cerca de 900 pessoas, por isso, o trabalho é contínuo e o desafio é constante, uma vez que já conquistamos o nosso público e agora é trabalhar cada vez mais para mantê-lo e conquistar novos”, assinalou.

Para o diretor artístico da Companhia de Teatro Fladu Fla, o facto de sintetizar as outras modalidades é uma forma de autopromoção, apontando como exemplo, a primeira estratégia que começaram a implementar no ano passado, a adaptação da obra Chiquinho para o teatro.

“Então, massificamos e diversificamos a nossa plateia. Temos desde classe de elites, intelectuais e classe do povo, então juntar esse público todo constitui um valor acrescentado ao teatro”, argumentou.

O “Fladu Fla”, avançou, tem na forja ainda para este ano, envolver o teatro com a música através de músicos com certa imagem na sociedade, e, de igual modo, pretende massificar a criação de grupos e dinamizar grupos de teatro em Santiago e em Cabo Verde.

“Para podermos construir um público forte para o futuro do teatro de Cabo Verde, os músicos não têm problemas com plateia, então o “Fladu Fla” neste momento tem uma certa imagem vincada, agora precisamos massificar a nossa imagem porque o teatro é uma das modalidades da arte que mais transforma a sociedade por sintetizar as demais modalidades”, disse.

Sabino Baessa informou, por outro lado, que a companhia de teatro tem um plano à espera de ser aprovado que prevê levar teatro para os bairros, neste mês que comemora os seus 20 anos de existência, para também dinamizar os bairros periféricos da capital, sobretudo neste período de férias escolares.

Para assinalar a data, a companhia promoveu uma série de actividades, nomeadamente, contos de estórias, que aconteceu esta quarta-feira, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, uma forma de resgatar contos tradicionais contados pelos avós, que, a seu ver, a tecnologia ameaça pôr de lado.

O “Fladu Fla” pretende realizar também o ‘stand up comedy’, uma nova forma de fazer teatro, intitulado “Figuras Públicas”, que retrata tanto políticos como pessoas que para a sociedade são marginalizadas, mas que ao mesmo tempo são figuras que no dia-a-dia fazem parte da dinâmica da cidade.

Para a semana, está prevista a apresentação de um monólogo, trazendo “Nhanha Bongolon”, a mulher que liderou a revolta de Ribeirão Manuel em São Catarina, para mostrar a resiliência da mulher cabo-verdiana, através desta personagem.

Inforpress

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