Trabalhadores da espanhola Atunlo temem fecho e reclamam indemnizações

Trabalhadores da espanhola Atunlo temem fecho e reclamam indemnizações

Trabalhadores da fábrica espanhola de processamento de pescado liderada pela empresa Atunlo, na ilha de São Vicente, Cabo Verde, disseram esta sexta-feira, 21, à Lusa que vão reclamar indemnizações por anos de trabalho, face ao eventual encerramento da unidade.

“Nós não vamos sair [rescindir contrato], sem nada, depois de tantos anos de trabalho”, afirmou um trabalhador da Atunlo, que há três anos labora na empresa e que pediu o anonimato por medo de represálias.

Em São Vicente, o futuro é incerto: a atividade da Atunlo foi suspensa em fevereiro e os 210 trabalhadores foram colocados em ‘layoff’, a receber metade do salário, durante quatro meses, devido a um processo de falência voluntária em Espanha, onde a firma já tinha começado a realizar despedimentos em janeiro.

Entretanto, a fábrica de conservas Frescomar (igualmente espanhola, do grupo Ubago), também instalada no Mindelo, São Vicente, manifestou interesse em contratar os trabalhadores.

A conserveira (atum, melva e cavala) recebia matéria-prima da unidade, agora parada, situada a curta distância e da qual também era sócia.

“Eu não vou aceitar essa proposta. Quero que me paguem os anos de trabalho” e, só depois, admite “pensar em ir para a Frescomar”, apontou, caso se concretize o fecho.

Aquilo que recebe em ‘layoff’ não chega para cobrir as despesas de cada mês, mas, do lado da empresa, as informações são ainda piores: “Disseram que a situação não está muito boa, que estão em falência em Espanha e não têm como nos pagar”.

Uma outra operária que está na Atunlo há quase sete anos, igualmente pedindo anonimato, referiu que espera “todos os dias por um contacto da empresa”.

“Querem a rescisão dos nossos contratos para irmos para a Frescomar e não sei se alguém já aderiu, mas eu não”, apontou.

Segundo contou à Lusa, “a situação tem sido complicada”, levando-a a procurar outras ocupações, para não ficar em casa, “sem fazer nada”.

“Desde fevereiro que estou a tentar concorrer para outros lugares, para ver se consigo trabalho, mas não sei como é que as coisas andam, não há nenhuma decisão. O sindicato ficou de marcar uma reunião connosco para falar sobre o assunto”, apontou.

Sábado assinala-se o último dia do ‘layoff’ e fonte sindical disse hoje à Lusa que as autoridades de regulação laboral marcaram uma reunião sobre o futuro da Atunlo para segunda-feira, na cidade do Mindelo.

“Já nos indicaram que não há dinheiro para continuar a atividade e que a empresa iria fechar as portas”, afirmou à Lusa o presidente do Sindicato de Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil e Serviços (Siacsa), Gilberto Lima, a 13 de junho.

A fábrica de processamento de pescado foi inaugurada em 2015, com 51% do capital nas mãos da Atunlo, 33% pertencentes à Frescomar (Ubago) e 16% à Frigrove, todas espanholas.

O objetivo era tornar a Atunlo num “operador de referência na Europa e norte de África” para produtos derivados de atum, com as fábricas de conservas entre os principais clientes do peixe ali processado.


Lusa

 

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