UCID afirma que país “não está bem” e apresenta sintomas “muito perversos de incumprimento” da Constituição

 O deputado da UCID António Monteiro afirmou hoje que a Nação cabo-verdiana “não está bem” e apresenta sintomas “muito perversos de incumprimento” das leis, considerando a suspensão do mandato de Amadeu Oliveira um acto de “profunda repugnaçao”.

O deputado da União Cabo-verdiana Democrática e Independente (UCID, oposição) fez estas afirmações quando intervinha no debate sobre o estado da Nação, tendo exigido do Governo esclarecimentos sobre esta situação.

No seu entender, forçar de forma “maldosa e com resquícios profundos de vingança” a suspensão do mandato de um deputado, que, “a todo o custo”, o MpD através do seu líder parlamentar conduziu no parlamento leva o seu partido a tirar a conclusão de que Amadeu Oliveira é tão incômodo, que o MpD entendeu “travar uma cruzada” para o retirar deste hemiciclo e consequentemente terem uma vida política mais tranquila.

Considerou neste sentido que ao não se cumprir com a Constituição da República e com o Estatuto dos Deputados e o Regimento, a Assembleia Nacional “comandada pelo MpD” prestou um “mau serviço” ao Estado de direito democrático, que, conforme lembrou, há 31 anos têm vindo a procurar edificar.

“E o que gostaríamos de saber é se o senhor primeiro ministro, enquanto chefe do Governo e líder do partido que sustenta o Governo, teve, tem ou colocou pressão nos deputados para que a decisão fosse tomada da forma como foi colocando o deputado Amadeu Oliveira nesta casa da democracia como sendo o pior vilão deste País”, questionou.

A UCID, reforçou, questiona Ulisses Correia e Silva se por acaso deu instruções para se crucificar o deputado Amadeu Oliveira, desafiando que, a ser verdade, o primeiro-ministro deve, em nome da Constituição da República e do Estado de Direito democrático, pedir a sua demissão.

Disse ainda que o MpD como partido da liberdade e da democracia não pode permitir o incumprimento da Constituição e de mais da república sejam relegadas para os “confins de um território tortuoso e ensanguentado”, retirando o direito de defesa do cumprimento das regras constitucionais.

Ao analisar o estado da Nação, afirmou que a situação vivida na quinta-feira, 28, na Assembleia Nacional é o “espelho perfeito” daquilo que é “o estado das nossas ilhas, ou seja, uma nação frágil e incapaz de conviver com os que pensam diferente, uma nação perseguidora porque persegue de forma implacável aqueles que não leiam pela cartilha dos governantes”.

“Uma nação cansada porque muitos estão desistindo da luta paulatinamente já que o consideram inglória, uma nação desiludida porque as desilusões vividas pelo povo crescem a cada dia, uma nação triste, injusta e insegura porque os seus responsáveis demonstram uma grande incapacidade de fazer cumprir as leis da república”, criticou.

Acrescentou ainda que o reflexo é o de uma “Nação endividada até ao pescoço”, mas sem uma máquina produtiva forte capaz de gerar riquezas e que garantam o bem-estar dos cabo-verdianos.

Em reação à intervenção do deputado António Monteiro, o líder da bancada parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, poder), João Gomes, afirmou que assume as suas responsabilidades enquanto líder e que o que se passou na Assembleia Nacional foi uma decisão do partido e do grupo parlamentar tendo ele sido apenas “o veículo de transmissão”.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na sua intervenção afirmou que não deu instruções a ninguém sobre a suspensão do mandato do deputado Amadeu Oliveira.

Segundo Correia e Silva, o parlamento tem a legitimidade para decidir num processo que foi votado, sublinhando que o Governo não dá instruções para se sacrificar deputados e nem outras pessoas.

 

Inforpress

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