UCID alerta para impactos futuros da cisão da Electra e criação de uma nova empresa para gerir a água e energia

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição) manifestou-se hoje preocupada com o processo de cisão da Electra e a criação do Operador Nacional do Sistema Eléctrico de Cabo Verde sem considerar os impactos que pode trazer no futuro.

António Monteiro falava em declaração política durante a segunda sessão parlamentar do mês de Maio, do qual alertou para os riscos da “decisão precipitada” da reestruturação da empresa para a sua privatização no futuro, sublinhando “importante” considerar a “experiência” que se está a viver em termos de água na Cidade da Praia.

O deputado alertou para os cuidados a serem tomados para que a empresa não esteja a correr risco desnecessário que possa no futuro perigar o abastecimento da electricidade e da água, elementos, salientou, fundamentais para o bem-estar da população.

Para a UCID, a criação de instituições para gerir os recursos de água e energia poderá acrescer o valor pago no País, acrescentando que em Cabo Verde a potência instalada é de 0,11 gigawatt (GW).

“Desde logo gostaríamos de chamar a atenção do Governo para a criação da empresa que irá operar e transportar a energia que se denomina de ONSEC. Do ponto de vista da UCID, esta empresa irá ter um custo adicional e o trabalho que vai fazer poderia ainda ser feito pela própria Eletra S.A o que irá eliminar o custo adicional e retirar o preço na estrutura tarifária da própria empresa”, pontuou, referindo que em Portugal foram utilizados outros mecanismos para reduzir o valor da energia.

António Monteiro disse que o partido não está a ver com bons olhos o facto de que em apenas 14 dias se tomou uma decisão numa Assembleia Geral para no dia 01 de Junho implementar o processo de cisão, alertando para os “profundos impactos” que poderá ter no futuro, sobretudo na questão da produção e distribuição da água.

Conforme explicou, as perdas de energia na distribuição são de 24% da produção, e desta, 77% da perda é na ilha de Santiago, um número “muito elevado” para uma rede da dimensão do País.

“Entendemos que ao invés de haver esta precipitação, deveria ser criado as condições para debelar estas perdas, ter a rede devidamente formatada para que o consumidor final possa pagar o custo de energia eléctrica e metro cúbico de água a preço mais atractivo” realçou, questionando se o Governo estará a colocar em prática a infra-estrutura necessária para a operação em outras ilhas.

Sobre a possibilidade da mudança da sede da Electra SA de Mindelo para a Cidade da Praia, a UCID posicionou-se contra a transparência das sedes das empresas recém-criadas, esclarecendo que a cidade já está fortemente condicionada pelo “aglomerar” de todas as actividades.

“Nós temos de dispensar e retirar de São Vicente as sedes para serem implementadas aqui na Cidade da Praia pensamos que não ajuda e vai na contramão naquilo que tem sido a retórica e diálogo que o Governo tem mantido que é preciso descentralizar”.

Inforpress

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