UCID diz que população vive situação de “angústia e fome” por ineficácia das medidas do Governo

 O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) disse hoje que a população de São Vicente vive uma “situação angústia e de fome”, porque as medidas do Governo para mitigar a crise não surtiram efeito.

João Santos Luís fez este alerta, em conferência de imprensa, na sede do partido, no Mindelo, para balanço da visita de quatro dias que a direção nacional do partido efetuou em São Vicente, durante a qual privilegiou encontros com pessoas ligadas ao sector primário da economia, com enfoque na pesca e na agricultura.

“A situação é de uma angústia perfeita. Como o preço dos produtos como está é de facto uma situação de angústia. Em São Vicente constatamos que há pessoas a passar fome. Não há que esconder. Há pessoas que não têm recursos para colocar o alimento em cima da mesa para os seus filhos. Ou se colocarem uma vez já não conseguem uma segunda porque o salário não dá”, afirmou, realçando que constatou esta situação ao visitar os bairros da ilha.

Segundo o político, tal cenário acontece porque as políticas do Governo para mitigar a tripla crise “não estão a surtir efeito” junto da população, pelo que defendeu que o Governo deve aumentar o salário para as pessoas que recebem abaixo de 20 mil escudos e a pensão social dos idosos, para que, justificou, tenham pelo menos condições de se alimentarem.

Para João Santos Luís, apesar de o Governo propalar que o País está a crescer este crescimento “não tem causado impacto” nas pessoas, porque o tem justificado que “não há dinheiro”  para aumentar os salários.

“Ainda ontem ouvimos dizer que as receitas do Estado aumentaram 31,4 por cento (%) até Maio, face ao mesmo período de 2021. O Governo diz que o Produto Interno Bruto (PIB )cresceu em 2020, mas o Estado não consegue utilizar aquele crescimento para melhorar a vida das pessoas. Isto é um contraste”, argumentou.

Sobre os sectores da pesca e da agricultura, o líder da UCID disse que falta ao Governo concretizar os investimentos que prometeu para essas duas áreas no seu programa de governação.

É que, clarificou, após visitar as comunidades piscatórias de São Pedro, Salamansa e Calhau, percebeu que as medidas para o sector “estão em banho-maria” em São Vicente.

Sobretudo porque, acrescentou, a pesca artesanal continua a prevalecer e não há perspetivas de transformá-la em semi-industrial e, posteriormente, em industrial.

Conforme o presidente da UCID, também falta formação para os profissionais da área, financiamento de projetos, espaços para reparação de embarcações, há excesso de taxas para barcos de até cinco toneladas, e faltam espaços para a conservação de pescado e produção de gelo.

Na área da agricultura, segundo João Santos Luís, a carência prende-se com a falta de sementes para os agricultores, problemas com a mobilização de água e venda dos produtos para rega, sobretudo para os agricultores da Ribeira de Vinha e Tchon d´Holanda.

Inforpress

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