UCID espera uma legislatura “melhor” com deputados “preocupados” com a resolução dos problemas que afectam o país

UCID espera uma legislatura “melhor” com deputados “preocupados” com a resolução dos problemas que afectam o país

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) disse esperar que a X legislatura seja “melhor” do que a anterior e que os deputados tenham uma postura “diferente” e estejam 100% empenhados na resolução dos problemas que afectam os cabo-verdianos.

A posição da UCID foi manifestada pelo seu presidente, António Monteiro, em declarações à imprensa, à margem da sessão constitutiva da X Legislatura, realizada hoje na Cidade da Praia, lamentado, entretanto, que a IX legislatura tenha ficado marcada com episódios que não dignificam o Parlamento”.

 

“O que nós esperamos é que seja uma legislatura melhor do que a IX, uma legislatura em que os deputados estejam profundamente empenhados a 100% na resolução dos problemas do País, na resolução dos problemas dos cabo-verdianos e na resolução dos problemas das pessoas e das empresas, e não deputados empenhados na resolução dos problemas dos partidos”, declarou.

 

Para o líder da UCID, a postura dos deputados nacionais que estavam preocupados somente com problemas partidários na anterior legislatura contribuiu para que houvessem situações inadequadas, transmitindo assim à sociedade civil a ideia que os mesmos não estavam a “trabalhar mas sim a brincar o tempo todo”.

 

Relativamente à eleição do deputado Austelino Correia, como presidente da Assembleia Nacional, António Monteiro realçou a forma “equidistante” como o mesmo exerceu a sua função de vice-presidente da casa parlamentar, acrescentando que a UCID espera ver no parlamento melhoria na condução dos trabalhos.

 

“O deputado Austelino Correia teve sempre um comportamento que diríamos irrepreensível, porque soube manter alguma equidistância dos partidos e conduzir os trabalhos da melhor forma possível. Se ele vier com esta postura e o manter ate ao final da legislatura, pensamos que estarão reunidas as condições, para que realmente o parlamento possa prestar um bom serviço e aumentar assim a sua aceitação junto da sociedade civil”, declarou.

 

Abordando o elenco governamental apresentado esta segunda-feira pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, o líder da UCID declarou que a lista apresentada é “extremamente grande”, isto tendo em conta o número de habitantes em Cabo Verde.

 

Ademais, frisou, levando em consideração o actual contexto da pandemia da covid-19 e a escassez de recursos, António Monteiro diz ter dificuldade em entender a justificação apresentada por Ulisses Correia e Silva de que os 28 elementos tornarão o Governo da X legislatura “mais eficiente”.

 

“O facto de termos um Governo com 28 elementos não justifica que será um Governo eficiente, porque se a lógica fosse de números, podíamos ter aumentado para 50 e teríamos um Governo mais eficiente, porque um Governo eficiente consegue com pouco fazer muito”, ironizou, afirmando que Ulisses Correia e Silva acrescentou mais membros do partido no Governo para oferecer postos de trabalhos a algumas pessoas que fizeram campanha eleitoral.

 

No escrutínio durante o acto constitutivo da X Legislatura, que contou com a totalidade dos 72 deputados, Austelino Correia, proposto pelo Movimento para Democracia (MpD), partido vencedor das legislativas de 18 de Abril, foi eleito com 64 votos favoráveis, quatro contra e quatro abstenções, o que equivale a 88,8% dos votos expressos.

 

De acordo com o mapa com o resultado total da eleição de 18 de Abril, publicado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), o MpD obteve 110.211 votos, o que corresponde a 50,04% do total, e elegeu 38 deputados, enquanto o PAICV conseguiu 87.151 votos, equivalentes a 39,57%, ficando com 30 deputados.

 

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) teve nestas eleições 19.796 votos, que corresponde a 8,99%, tendo conseguido quatro deputados, todos pelo círculo eleitoral de São Vicente.

 

Concorreram ainda o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), Partido Popular (PP) e Partido Social Democrático (PSD), mas não conseguiram votos suficientes para eleger deputados à Assembleia Nacional de Cabo Verde.

 

O ciclo eleitoral em Cabo Verde começou em Outubro de 2020, com as eleições autárquicas, prosseguindo em 18 de Abril com as legislativas e termina em 17 de Outubro próximo com a primeira volta para as presidenciais, às quais já não concorre o actual chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, por ter atingido os dois mandatos legalmente previstos.

 

Inforpress

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