Uni-CV quer contribuir para uma visão conciliadora e pedagógica face aos grupos vulneráveis – pró-reitora

A pró-reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) disse hoje que a instituição quer contribuir para a formação de uma sociedade aberta a diferentes tipos de comportamento e uma visão mais conciliadora e pedagógica face aos grupos vulneráveis.

Maria de Fátima Fernandes fez essa afirmação quando falava à imprensa sobre a mesa-redonda denominada “Diversidade e Direitos da População LGBTI+”, realizada no Campus do Palmarejo Grande em parceria com a Associação LGBTI+ da Praia e com o apoio do UNFPA Cabo Verde e do Projeto INTRAPI (Desafios desde a Inovação e a Transferência em Políticas De Igualdade: Redes Universidade- Sociedade entre Canárias-África).

“Somos ainda uma sociedade um pouco conservadora e o facto de estarmos predispostos a discutir, de forma aberta, os desafios que esta comunidade enfrenta, nos empodera aceitar as pessoas e desenvolver um conceito de aceitação e inclusão muito mais sustentável e interessante para lutar contra todo o tipo de discriminação e injustiça”, salientou.

A pró-reitora, sustentou ainda que o objetivo é construir uma sociedade “aberta a diferentes tipos de compartimento e uma visão mais conciliadora e pedagógica” visto que a reflexão pode desenvolver, não só no espaço onde o conhecimento deve-se processar de forma aberta quanto às temáticas, atitudes e comportamentos, mas também nos estudos e abordagens visando atitudes menos discriminatória e mais abonatórias na defesa do direito das pessoas com orientações e opções sexuais diferentes.

“A academia, neste momento, está a confrontar-se com esta oportunidade de conhecer melhor a comunidade LGBTI+ e o CIGEF tem estado a proliferar algumas atividades nas ilhas para perceber como estamos em termos de perceção do tema, como as pessoas encaram esta realidade”, sublinhou.

Por isso, segundo Maria de Fátima Fernandes, estar num evento que congrega interesses e participantes nesta luta que é comum, acaba por ser interessante à própria comunidade, sobretudo, a estudantil e docentes, por poderem beneficiar de um conjunto de informações que nem sempre estão acessíveis.

Para a responsável do Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF) da Uni-CV, Clementina Furtado, mais do que promover discussões sobre as lutas, conquistas e desafios da população LGBTI+, bem como as estratégias de combate à discriminação e violência de que são alvo, é preciso educar a sociedade para que tenha uma visão inclusiva no sentido de que os direitos da comunidade ou qualquer outro grupo vulnerável deve ser respeitado.

“As leis são importantes, mas não adianta ter leis se não termos uma sociedade sensibilizada, pelo que para mim a educação é a chave de tudo. O grande desafio se prende com a educação no sentido de se sensibilizar as pessoas para a não discriminação e promover igualdade para qualquer pessoa independentemente da sua condição”, disse.

Otimista que um dia a educação possa despertar essa sensibilidade nas pessoas, Clementina Furtado disse acreditar que cada progresso é uma vitória e motivo para a luta apesar do desafio ser enorme.

Já a presidente da Associação LGBTI+ da Praia, Sandra Tavares, que apontou os sectores da educação, saúde e emprego como um grande desafio para a comunidade, diz-se expectante quanto a aprovação do anteprojeto lei apresentado ao parlamento.

É uma lei muito importante para a comunidade LGBTI+ pelo que apelo a empatia de todos no sentido de poderem imaginar a discriminação e perseguição que vive o grupo quando os seus direitos são violados”, invocou, apelando ao respeito pela diversidade humana.

A Uni-CV para além da mesa redonda sobre “Diversidade e Direitos da População LGBTI+” participou em parceria representações diplomáticas sediadas em Cabo Verde no primeiro Festival Internacional de Cinema destinado à promoção da igualdade e diversidade de géneros, bem como à proteção dos direitos da comunidade LGBTI.

Foram exibidos oito filmes de Cabo Verde, dos Estados Unidos e de vários países europeus, entre os quais Portugal, Espanha e França.

Inforpress

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