Validação e implementação do plano de monitorização representa ganhos para a ilha, diz Alberto Nunes

 O presidente da câmara de Santa Catarina do Fogo, Alberto Nunes, considerou hoje que a validação e a implementação do plano de monitorização da vegetação do PNF representam ganhos para o seu município e para a ilha.

O maior perímetro do Parque Natural do Fogo (PNF) está localizado no município de Santa Catarina e, por isso, Alberto Nunes comprometeu-se em dar a sua contribuição para que a implementação do plano tenha sucesso.

“Espero que este precioso instrumento não venha a ser mais um desperdício de tempo e recursos e que depois da sua validação venha ser colocado na gaveta e consequentemente esquecidos por todos”, alertou Alberto Nunes, formulando votos para que o mesmo venha a ser “útil e necessário” para as comunidades residentes dentro do perímetro e na zona de amortecimento do PNF.

O autarca referiu que a ilha foi há cerca de dois anos classificada como Reserva Mundial da Biosfera e através de uma resolução governamental como Zona Económica Especial, sublinhando que esses títulos vão dar um valor acrescentado e devem ser bem aproveitados em sinergias com os poderes locais, sector privado e o Governo.

“Analisando, de forma crítica, o plano de monitorização da flora do PNF e os painéis interpretativos elaborado e enviado pela Associação Projeto Vitó, entendo que o papel das organizações não-governamentais é fundamental para garantir a boa implementação das políticas públicas, mormente no sector ambiental onde a sensibilização, a consciencialização e participação pública são fundamentais”, destacou Alberto Nunes.

Para o mesmo é importante saber qual é o papel da ONG no processo de implementação das políticas públicas para não se criar situações de conflitos entre as partes, que têm o mesmo objetivo, sublinhando que o Estado deve sempre criar espaço e abertura para que as organizações da sociedade civil possam agir no âmbito das suas competências.

“No caso das áreas protegidas, ainda toda a gestão é feita diretamente pelo estado e é ele que tem a responsabilidade de elaborar os instrumentos de gestão e monitorização dessas áreas”, lembrou Alberto Nunes, destacando que o facto de participar na apresentação não a válida por si só, devendo os instrumentos serem submetidos para sua validação e aprovação pelo Governo.

No entanto, Alberto Nunes reconheceu “o esforço, a dinâmica e ousadia” da Associação Projeto Vitó na área ambiental a nível do País e da ilha, assim como esta iniciativa de elaborar o plano.

O presidente da Associação Projeto Vitó, Paulo Pina, por seu lado, considerou a apresentação dos painéis interpretativos da Reserva Mundial da Biosfera e o plano de monitorização vegetal do PNF como eventos de “extrema relevância” para a ilha do Fogo.

Paulo Pina fez ainda uma breve alusão sobre o projeto “Melhorar o conhecimento pela conservação das espécies da flora ameaçadas de extinção nas ilhas do Fogo e Brava”, financiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês), cuja implementação decorreu de 2019 a Junho de 2022.

Segundo o mesmo, a sua implementação permitiu produzir e fixar 25 mil plantas endémicas, capacitar técnicos do projeto, instalar jardins botânicos nas escolas das ilhas do Fogo e da Brava, propor a criação de uma área protegida na ilha Brava, entre outras realizações.

O presidente desta organização não-governamental lembrou que o Projeto Vitó começou em 2009 como simples associação para trabalhar na preservação das tartarugas, mas hoje é conhecida no Fogo, em Cabo Verde e no mundo, empregando 45 pessoas só na conservação de tartarugas marinhas.

O Projeto Vitó já tem financiamento para aquisição de um barco com algum conforto para servir não só para os trabalhos que esta associação realiza nos Ilhéus Rombos e nas ilhas da Brava e do Fogo, mas também poderá servir para a questão de transferência de doentes, busca e salvamento.

O projeto, segundo o mesmo, contribuiu para mais conhecimento técnico e científico da biodiversidade e lembrou que a ilha é Reserva Mundial da Biosfera e tem responsabilidades acrescidas nesta matéria, razão pela qual reafirmou a disponibilidade do projeto em continuar a fortalecer cada vez as suas atividades.

Inforpress

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