Vendedeiras ambulantes do Sucupira revoltadas com a atitude do autarca da Praia

A decisão da autarquia da Praia de apoiar algumas vendedeiras ambulantes do Sucupira com o apoio financeiro de 15 mil escudos para reforçar os seus negócios está a provocar a revolta nas outras rabidantes que não foram contempladas.

Este descontentamento foi manifestado pelas vendedeiras ambulantes ouvidas pela Inforpress, depois de o edil da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, ter comunicado no dia 06 de Junho a atribuição de 15 mil escudos às rabidantes que decidiram sair das ruas voluntariamente para fixarem nos mercados municipais.

Ana Furtado, vendedeira ambulante de frutas há quinze anos, no mercado de Sucupira, diz que ficou indignada com a atitude do edil praiense, uma vez que estava a contar com o apoio desta instituição, como as outras colegas, para ajudar no sustento da família.

Explicou que antigamente vendia no mercado municipal, mas que devido à falta de clientes, optou por vender na rua, ao redor do Sucupra, o maior mercado na capital, onde há mais movimentos de pessoas.

“Os meus colegas que começaram recentemente a labutar nesta área receberam o convite de fixarem nas pedras do mercado, mas a mim não chegou qualquer pedido por parte dos guardas para sairmos das ruas e nem fomos beneficiados com 15 mil escudos”, comentou.

Uma outra vendedeira, Djamila Rodrigues, mostrou-se também descontente com esta medida da autarquia, sublinhando que todas deveriam receber este dinheiro, para ajudá-las no sustento das suas famílias, já que a edilidade não quer que elas vendam os seus produtos nas ruas.

“Peço ao presidente que nos deixe a vender, pois não vamos ocupar os passeios”, apelou, sublinhando que já perdeu todos produtos que tinha para vender e que está a passar “momentos difíceis” junto da sua família.

Explicou que abandonava o comércio das ruas, se todas colegas colaborassem, passando a vender nos mercados, que assim não se cometia injustiças.

Ainda uma outra vendedeira, Catarina Mendes, também condenou a u a “atitude” do edil, afirmando que já tem 20 anos a labutar nas ruas do Sucupira, e que neste momento esperava ter apoio como as outras colegas para sustentar os seus filhos.

“Desde do dia que proibiram a venda nas ruas, passo momentos difíceis, tenho filhos na escola que precisam de mim para alimentar e comprar materiais escolares, entre outras necessidades”, explicou.

Todas as vendedeiras ouvidas são unânimes em dizer que o tratamento deveria ser igual para todas, já que o número de rabidantes de rua ultrapassa àquelas que a autarquia entregou o cheque.

Uma das vendedeiras afirmou que são cerca de 400 o número de rabidantes que vendem nas ruas e que somente 69 foram beneficiadas com.

As vendedeiras que conversaram com a Inforpress apelaram à edilidade que encontre alternativas e melhorar a organização da venda nesta cidade.

De referir que há quase um mês que a Câmara Municipal da Praia tem nas ruas a Guarda Municipal para obrigar as vendedeiras ambulantes que vendem frutas, peixes e legumes nos passeios, nas principais vias entre Fazenda e Sucupira, a regressar às “pedras” dentro do mercado, quer no Platô, quer no Sucupira e no mercado “Cotxi Pó”.

No sentido de ajudar essas vendedeiras, o edil praiense já beneficiou cerca de 69 vendedeiras ambulantes com o montante de 15 mil escudos por mês durante seis meses.

A Inforpress tentou ouvir o presidente da Câmara Municipal da Praia, mas não teve sucesso.

Inforpress

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