Venezuela acusa Reino Unido de impor sanções ilegais contra Alex Saab

A Venezuela condenou hoje as sanções impostas quinta-feira pelo Reino Unido contra o empresário colombiano-venezuelano Alex Saab - considerado testa-de-ferro do Presidente venezuelano, Nicolas Maduro -, detido em Cabo Verde desde 2020 e cuja extradição é solicitada pelos Estados Unidos.

“A República Bolivariana da Venezuela expressa a sua categórica condenação à decisão do Governo britânico de impor sanções unilaterais contra Alex Saab, um diplomata venezuelano sujeito a perseguição judicial por parte do governo dos Estados Unidos”, lê-se num comunicado oficial.


A nota, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores venezuelano, afirma que se trata de uma “decisão contrária ao Direito Internacional” que “reflete a imoralidade do Governo britânico em erguer-se como um suposto juiz anticorrupção no mundo, enquanto atua como um dos principais responsáveis pelo roubo de ativos que pertencem a todos os venezuelanos”.


A referência ao alegado “roubo de ativos que pertencem a todos os venezuelanos” está relacionada com a disputa sobre a titularidade dos direitos de propriedade de reservas de ouro da Venezuela no Banco de Inglaterra, e cuja disputa entre o regime e o líder opositor Juan Guaidó, está a ser dirimida pelos tribunais britânicos.


“Os danos em vidas humanas e as limitações para atenção em pandemia (da covid-19), como consequência do sequestro de recursos da Venezuela no Reino Unido devem ser investigados e castigados. O atual Governo britânico é o principal responsável por este ataque e, tarde ou cedo, terá que prestar contas perante a justiça internacional”, prossegue o comunicado.


Segundo Caracas, “a imposição de sanções a cidadãos que se dedicavam a facilitar o acesso à alimentação do povo venezuelano, contornando as limitações do desumano bloqueio americano, é um ato criminoso” de uma “estratégia fracassada para gerar danos à institucionalidade da Venezuela, deixando em evidência, mais uma vez, a errática política britânica em relação à Venezuela”.


“O Governo da República Bolivariana da Venezuela continuará a denunciar perante a Comunidade Internacional a descarada atuação do Governo britânico, cujas ações atuais não estão longe das dos seus piratas e corsários, cobiçando sempre os recursos dos outros, independentemente do Direito Internacional e da civilidade”, concluiu o comunicado.


O Reino Unido impôs quinta-feira, sanções contra vários cidadãos do Zimbabué, Iraque e Venezuela.


No caso da Venezuela, as sanções abrangem Alex Nain Saab Morán e Alvaro Enrique Pulido Vargas por abuso de programas públicos na Venezuela para fornecer alimentos e habitação a pessoas necessitadas, segundo o Governo britânico.


O colombiano Alex Saab, considerado um testa-de-ferro do Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, encontra-se detido em Cabo Verde desde o ano passado enquanto aguarda a extradição para os Estados Unidos, onde é suspeito de branquear 350 milhões de dólares (295 milhões de euros) para pagar atos de corrupção do Presidente venezuelano através do sistema financeiro norte-americano.


Saab foi detido quando regressava de uma viagem ao Irão em representação da Venezuela, na qualidade de “enviado especial” e com passaporte diplomático, no pico da pandemia de covid-19.


O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, disse que estas são pessoas que “encheram os seus próprios bolsos às custas dos seus cidadãos”.


“O Reino Unido está empenhado em combater a praga da corrupção e responsabilizar os responsáveis pelo seu efeito corrosivo. A corrupção esgota a riqueza das nações mais pobres, mantém a sua população presa à pobreza e envenena o poço da democracia”, lamenta, num comunicado.


As sanções incluem congelamento de ativos e proibição de viagens ao país, medidas que já foram aplicadas antes a outros 22 dirigentes e outras pessoas de países como a Rússia, África do Sul, Sudão do Sul e América Latina.

 

Lusa

 

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