Voos internacionais controlados por Cabo Verde perto de valores pré-pandemia

Os voos controlados pela FIR Oceânica do Sal duplicaram no primeiro semestre, face a 2021, para uma média equivalente a 122 aviões por dia, aproximando-se de valores pré-pandemia, segundo dados da empresa pública cabo-verdiana ASA.

De acordo com um boletim estatístico (janeiro a junho) da empresa pública Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), ao qual a Lusa teve acesso, globalmente, este tráfego totalizou 22.165 movimentos de sobrevoos no primeiro semestre, representando um aumento superior a 100% quando comparado com o mesmo período de 2021, que foi então de 10.600 sobrevoos.

“Os resultados deste primeiro semestre aproximam-se a passos largos dos valores de 2019, sendo que no mês de junho ultrapassamos os quatro mil movimentos, à semelhança de junho de 2019”, sublinha o relatório da ASA.

No primeiro semestre de 2019, antes das consequências da pandemia de covid-19 na aviação mundial, a FIR Oceânica do Sal, que representa uma importante receita para o Estado cabo-verdiano, controlou 27.951 movimentos de sobrevoos.

“Este crescimento de sobrevoos na FIR no primeiro semestre de 2022, face a 2021, traduz uma melhoria na confiança e liberdade de circulação de pessoas entre os países e continentes, influenciando diretamente o tráfego de sobrevoos na nossa FIR”, refere ainda a empresa estatal.

Das principais operadoras que sobrevoaram o espaço aéreo de Cabo Verde de janeiro a junho destaca-se a portuguesa TAP, que registou 4.139 sobrevoos (quota de 18,7%), mais do que duplicando os seus movimentos em termos homólogos, um aumento de 2.139 sobrevoos face a 2021, seguida da espanhola Iberia, com 1.655 sobrevoos (quota de 7,5%) em seis meses.

Os rendimentos da ASA com o setor da navegação aérea cresceram 19% de 2017 para 2018, para 2.945 milhões de escudos (26,6 milhões de euros), então o equivalente a 43% de todas as receitas da empresa pública que gere os aeroportos do país, mas praticamente desapareceram nos meses que se seguiram à pandemia de covid-19.

A FIR corresponde a um espaço aéreo delimitado verticalmente a partir do nível médio do mar, sendo a do Sal – que existe desde 1980 – limitada lateralmente pelas de Dacar (Senegal), Canárias (Espanha) e Santa Maria (Açores, Portugal).

Toda esta área está sob jurisdição das autoridades aeronáuticas cabo-verdianas, tendo a FIR sido criada em 1980.

O Governo atribuiu a concessão dos aeroportos e aeródromos do país – atualmente a cargo da empresa pública ASA – à sociedade Vinci Airports SAS, por um período de 40 anos, num negócio em que o Estado vai receber 80 milhões de euros, além de bónus das receitas brutas.

A ANA – Aeroportos de Portugal vai ter 30% das participações na sociedade de direito cabo-verdiano criada para celebrar o contrato de concessão.

O executivo liderado por Ulisses Correia e Silva esclareceu, contudo, que, além da gestão de ativos financeiros que detém, a ASA continuará com a responsabilidade de prestar os serviços de Navegação Aérea, nomeadamente na gestão da FIR Oceânica do Sal, que se manterá 100% na esfera pública, não sendo alvo de concessão a privados.

A localização estratégica da FIR do Sal coloca-a “na encruzilhada dos maiores fluxos de tráfego aéreo entre Europa e a América do Sul e entre a África Ocidental e a América do Norte e Central e as Caraíbas”, explicou anteriormente a ASA.

O pico histórico mensal do movimento na FIR Oceânica do Sal registou-se em julho de 2019, com um total de 5.424 aeronaves controladas, equivalente a 175 sobrevoos diários.

O Centro de Controlo Oceânico do Sal funciona no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, tendo sido inaugurado em 24 de junho de 2004.

Lusa

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